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Lindolfo Xavier, cidadão de Pará de Minas
que conviveu com Machado de Assis – parte 3
Caro leitor(a), se não se sentir incomodado, leia mais um pouco a respeito das impressões de nosso conterrâneo a respeito do tempo em que ele conviveu com um dos mais importantes escritores brasileiro, se não o mais. Na primeira e segunda parte desse artigo, comentava de fatos interessantes que Lindolfo Xavier narra em seu livro “Machado de Assis no tempo e no espaço”.
O leitor conhece que Machado ficou viúvo de sua amada Carolina Augusta Xavier de Novais, portuguesa, com quem se casara em 12 de novembro de 1869, no ano de 1904, após viverem juntos por 35 anos. Como não tiveram filhos, não tinha herdeiros para seus bens nem para os direitos autorais de seus escritos.
Em seu livro, Lindolfo conta que, Machado de Assis, pouco de falecer em 29 de setembro de 1908, vendera todos os direitos autorais de seus livros (30 livros em prosa, verso, teatro: romance, contos, sátiras e apólogos, publicados de 1869 a 1908) à Livraria Garnier, por “oito contos de reis”. Como concordava com o comentário que circulara pela imprensa naquela ocasião, de que o valor de “oito contos de reis” seria ínfimo para uma tão grande obra de arte da literatura, quiçá a mais importante obra literária brasileira até os dias de hoje, o autor para(min)ense registrou em seu livro que “O espanto que tal revelação nos causou foi atenuado pela explicação que os próprios livreiros divulgaram, ao jornal O Globo: a obra é de difícil venda. O povo não a compreende, está acima da capacidade do leitor vulgar”.
Opinando como leitora de Machado de Assis, diria que esses cem anos que se passaram após a sua morte em 29 de setembro de 1908, servem para desdizer que o povo _ tido pela imprensa e livreiros daquela época como “leitor vulgar”_ tem a capacidade de ler a escrita machadiana como uma literatura moderna, atual, que ainda será degustada por muitas gerações de leitores do Brasil e do mundo. Creio que essa seja também a opinião da maioria dos seus leitores _ comuns ou doutores.
Espero haver deixado a quem leu este artigo, parte importante da narrativa de um cidadão desta cidade, filho de Fernando Otávio da Cunha Xavier e de Maria Amélia Xavier Capanema, vereador na “Cidade do Pará” de maio de 1900 a janeiro de 1902, a respeito de seu tempo de convivência com Machado de Assis, como seu colega de trabalho. Difícil transpor o que está em 115 páginas do livro de Lindolfo num texto de seis páginas.
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OBSERVAÇÃO I
Além de “Machado de Assis no tempo e no espaço”, escrito em comemoração ao ano do centenário de nascimento de Machado em 1939, Lindolfo Xavier escreveu outros livros _ didáticos e não didáticos como romances, novelas, crônicas, peças de teatro.
Na bibliografia de Lindolfo, estão registrados títulos de livros didáticos:
_ “Geografia do Brasil” – Edição Pimenta de Melo & Cia, 1922
_ “Geografia Comercial” – Edição Jacinto Ribeiro dos Santos, saíram 3 edições: 1922, 1925 e 1929
_ “História do Comércio, da Agricultura e Indústria”, 1926
E de livros não didáticos:
_ “Ruínas”, peça representada em 1915, no Teatro Trianon, no Rio de Janeiro.
_ “Oásis” (gênero não especificado), 1917
_ “Esperança” ( gênero não especificado), Edição Pimenta de Melo & Cia, 1927
_ “Crônica de um tempo alegre”, romance *
_ “Horas do sertão”, novela nativista *
_ “Bumba meu boi”, obra de costumes cearenses *
_ “Pioneiros e Semeadores”- Caderno de Memórias 1, foi publicado em 1956, quando Lindolfo estava com 80 anos de idade. (Há um exemplar desse livro no Museu Histórico de Pará de Minas.)
* Não foram encontradas a data de publicação dessas três obras.
Observação II
Gostaria de solicitar ao leitor que conheça ou seja um descendente de Lindolfo Otávio Xavier, aos familiares de Fernando Otávio da Cunha Xavier e Maria Amélia Xavier Capanema que, caso tenham algum dos livros escritos por esse nosso conterrâneo, que o deixem como um legado ao MUSPAM- Museu Histórico de Pará de Minas. Essa atitude enriquecerá o acervo de nosso museu e contribuirá para o registro da história da literatura de nossa cidade.
criado por academiadeletras
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