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2_ Histórias de pescadores
Terezinha Pereira
O homem queria parar de correr atrás de notícias. Fatigado, em um findar de ano, com bagagem leve de roupas e algumas garrafas do vinho preferido, partiu para uma ilha deserta. Varou vésperas e dias seguintes ao Natal na solidão. Nada de celular, computador, burburinhos. Apenas o vinho e muita chuva, sem ao menos ver o mar.
O chegar do Ano Novo, levou-o para a beira do mar. E embevecido ficou com o rodopiar das alvas roupas dos iniciados do candomblé. Foi daí que aprendeu a beber da cachaça dos pescadores.
A partir de então, caminhou por trilhas e trilhas na mata costeira, pé na areia, olho no vaivém do mar azul-infinito. Conheceu gentes, costumes e um sem conta de histórias. Terminadas as férias, achou por bem, desligar-se do trabalho. Sabia que, o que havia acumulado durante anos e anos de correria, apesar das folganças com mulheres mal amadas, noites mal dormidas e de olvidadas bebedeiras, permitir-lhe-ia desfrutar, por algum tempo, das preciosidades daquele lugar.
Agora, findou abril e já se passaram três anos. Ele não sabe se, como homem acostumado ao burburinho da redação do jornal e da vida buliçosa da cidade, conseguirá ficar ali por toda uma vida. Da pesca, aprendeu as manhas e obtém o bastante para o viver. A promessa, feita no primeiro passar de ano naquele lugar, começa a levar a efeito. Haveria de escrever uma dúzia de histórias, uma a cada mês. Sentiu que chegara a hora de pegar lápis e papel para as primeiras palavras.
Olha o mar, o céu, os homens a se desenredarem de tralhas e produtos da pesca e escreve o título de seu primeiro livro: “Histórias de gente da beira do mar”.........
(do livro de mini-contos: "Brevidades")
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