Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

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Terra Blog

13.04.08

Terezinha Pereira/ CERIMÔNIA DO CHÁ


Dia desses, a mestramiga convidou suas discípulas
Para, junto a ela, participarem de uma “cerimônia do chá”.
Que fossem de branco e que levassem lápis
de variadas cores e uma xícara desalada.

Seria para dividirem, além do chá, o silêncio das falas,
as notas das melodias, olores e sabores diversos,
a diversidade das cores inventadas pelo deus que habita cada ser,
a partir da trindade primária dos pigmentos.

Além disso, precisariam colocar os pés no chão, pedregoso, áspero, atapetado e caminhar, passos lentos, à luz do fogo de velas, em direção
a seu eu interior e, nesse ponto, atinar o seu ponto da emoção.
Então, por isso mesmo, ninguém foi meio a esmo.

De primeiro, a mandala, cada uma delineada de um jeito,
em preto no papel branco, foi oferecida às convivas.
Era o momento de se usar as cores, pensar seus desejos,
Dos simples aos mais íntimos, ao som de música criada além mar.

E o tempo, o tempo, o tempo........ Esse se vai, despercebido. Nem mesmo
a mandala estava já coberta de cores, chegada era a hora de sentir
os pés no chão. Dar os passos. Num silêncio de vozes, ao som de música
branda e pura, vinda de terra distante.

Num repente, voz desconhecida entremeia a música.
Chega para conduzir as caminheiras, em ajustado compasso,
ao destino daquele ir, meditar.
Singular momento........

Cada ser dentro de seu próprio ser, de seu deus,
criado à sua imagem-semelhança.
Não importa o nome: Deus, Jesus, Flor de Lótus,
Canjerê, Kyrie, Tupã, Javé, Ganesha, Buda........

Imóveis, olhos fechados, o toque de um sino, seguido da voz da mestra.
Chegara a hora do chá, do retornar ao mundo de fora do corpo.
No abrir dos olhos, vê-se o fogo de velas.
Não se pode dizer, se clareia ou penumbra o ambiente. Apazigua.

Cada uma, uma a uma, é convidada a buscar, na mesa posta,
sua xícara desalada e a seu lugar retornar.
A música que sai do aparelho de som , no servir do chá,
chaleira borbulhante, nesse momento é daqui da terra.

“Theotókos”, que para os do além mar é mãe de Deus,
chega ao som de instrumentos de Urbano Medeiros, que lhe deu vida.
Deveras.
Chegou no momento e no lugar perfeito para ser ouvida.

O sabor dos petiscos exigem, antes, o sentir do seu cheiro.
Disseram, as que lá estiveram, nunca haverem
compartilhado de banquete de tamanho apreço.
Nem faltou o sentir dos laços do abraço, da permuta dos ganhos.

Houve risos, lágrimas, ternura e muito mais. Um sentimento de paz.
E cada uma, praticamente sem dizer mesmo quase nada,
no findar da “cerimônia do chá”, saiu de lá, renovada.
E seu entranhado eu não ficou por isso mesmo.




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