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Mãe,
Eu sempre achei gozo nisto: ver teu jeito de tratar o tempo
como se desdenhasses dele;
sem te tocares pelo assombro que ele causa a todos.
Sim, pra ti,
estardalhaço de quem não sabe envelhecer.
Olho teu rosto que não esconde rugas e as realça mais no sorriso escancarado.
São como as linhas de um caderno a sustentar boas palavras.
Elas percorrem a fronte, o canto dos olhos
e contam-me coisas que eu não li em nenhum livro.
Coisas cheias de um conhecimento singular
que faz teus olhos capazes de enxergar a necessidade alheia
e tuas mãos sempre prontas a ofertar.
Amar-te,
além de desejo natural,
é um grande prazer!
Como é bom, mãe,
descobrir-te menina e senhora,
de mãos manchadas e gargalhada sonora.
Não perco isso por nada!
Sou feliz quando te olho e te admiro.
És linda!
De uma beleza que não se fabrica,
sem retoques desnecessários.
És linda porque, além do teu olhar, do teu sorriso, das tuas rugas,
tens um jeito espontâneo de ser e de amar
e uma fé que me comove:
Genuína como tu!
Regina Maria
criado por academiadeletras
22:53:40