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Digo-te, dileto amigo: não conheço uma felicidade só. Elas existem em variedades de cores, tamanhos, formatos e sabores. Mesmo assim, são por vezes mutantes: nos aparecem tanto como uma longínqua estrela, cujo brilho demora alguns anos-luz para chegar aos nossos olhos quanto, de uma hora para outra, como um sol, para o qual não podemos olhar desprotegidos sob pena de ficarmos cegos, ou como algo que podemos agarrar com as mãos. Podem ser tão pequenas que não possamos enxergá-las a olho nu, mas também podem ser grandes o bastante para não podermos reconhecê-las, senão por partes. Nem toda felicidade é doce, nem toda felicidade é quente. Não as encomendamos sob medida e por isso não as calçamos como a uma luva. Jamais saberemos se são mesmo do nosso número e, por via das dúvidas, sempre desejaremos maiores. Não são exclusivas e conviverão muito bem umas com as outras, caso as deixemos por conta própria e não as tentemos aprisionar. Fazem graça e delas temos que rir: se as levarmos muito a sério, fogem como animais ariscos. Nunca sabemos como elas virão: as felicidades, tão volúveis, trocam de roupa, conforme a ocasião, mudam de cor, conforme a luz. Às vezes são ambíguas, dissimuladas. Gostam de brincar de esconder. Vão e voltam quando querem, sem aviso, e não adianta insistir; o que importa é sempre mantermos a porta aberta para que sejam todas muito bem-vindas.
criado por academiadeletras
15:56:39