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VERDE E AZUL
Hila Flávia
No horizonte o lago azul tendo por limite as serras baixas. Não é mar sem fim. É a água sendo cerceada pela natureza enraizada.
Mais perto, a roupa secando no varal e as árvores frondosas ameaçando fazer sombra. É preciso procurar uma réstea para a ação do sol e do vento. Senão a roupa fica enchombrada e sem o cheiro bom da secada natural.
Na varanda, esparramo em cima da mesa muitas linhas, de tudo quanto é cor. Vou escolhendo cada uma para bordar o estandarte. São letras, estrelas, corações, pássaros, borboletas, luas, flores, sóis. O bordado vai tomando forma e colorido para ser exposto numa parede, cheio de fitas, pedras, laços e fuxicos.
A agulha vai e vem. A cabeça fica oca. A moda de viola toca na modernidade de um CD, única coisa contemporânea da cena.
No mais, é uma mulher num cenário secular, num ofício milenar e envolta numa paz infinita.
criado por academiadeletras
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