Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2009, 17

16.06.09

Hila Flávia/ OS PROBLEMAS DE EVA

                               

                                                Os Problemas de Eva

 Hila Flávia

 

Desde minha adolescência tenho feito o possível para me inteirar do que é dito sobre gênero humano. Não sei se é uma espécie de inconformismo ou se é curiosidade mesmo. Mas uma das situações que mais me marcaram aconteceu quando era bem pequena e o Nico Pereira, pai do Freei Cristóvão, leu minha mão na varanda da minha casa, no Pará. E disse muito sério: - “Que mão boa, a sua! Se você fosse homem, seria até presidente. Se você fosse homem, seria muito famoso, iria ter muita sorte, ser muito importante. Que pena que você é mulher! Um desperdício!”

Lembro-me de que fiquei furiosa com ele, mas era muito pequena e não tive argumento nenhum para discutir. As palavras ficaram gravadas no meu coração e penso que, desde então, comecei a ficar irritada quando ouvia que mulher é boa para pilotar fogão, que lugar de mulher é em casa, e com a famosa frase de que atrás de um grande homem tem sempre uma grande mulher. Esta, então, escuto até hoje, porque o meu companheiro é um grande homem. E escuto esta frase no século XXI. É de arrepiar.


Vou me entusiasmando com o assunto, mas quero esclarecer que nada tenho contra os homens. Sou é favor das mulheres. A luta não é para massacrar homem algum, é para impedir que a mulher seja massacrada. É muito diferente.


Mas, por outro lado, se este tema homem/mulher foi um dos preferidos de minha geração, hoje o assunto até passa batido. As cabeças mudaram, os jovens nem sabem do quanto foi difícil romper barreiras, é muito raro encontrar mulher que não tenha seu ganho, mesmo que pequeno. Quase todas trabalham ou têm chance de fazê-lo. Da geração de minha mãe para a minha, pouca coisa mudou. Mas da minha para a de minhas filhas, é outro mundo. Um mundo que, ás vezes, é até difícil de uma quase setentona entender. Mas que é melhor, lá isto é. Muito, mas muito melhor. E para ilustrar meu encantamento com as mulheres de hoje, vejam que deliciosa história saiu publicada na revista Web, sobre um diálogo de Eva com Deus:


Eva pediu uma audiência com Deus para se queixar de solidão, que não agüentava mais viver sozinha e nem aguentava mais comer tanta maçã. Deus argumentou com ela que a solução seria criar o homem, mas ela deveria saber de antemão que o homem seria muito arrogante e iria gostar demais de mandar e de dar a última palavra em todo e qualquer assunto. E sugeriu que ela pensasse bem, pois, além do mais, um preço teria de ser pago.


Eva pensou, pensou, pensou e resolveu correr o risco. Então Deus lhe disse que o preço ser pago deveria ser de o homem nunca saber que foi criado por último. E a contingência do qual ele seria criado ficaria, para todo o sempre, como segredo guardado entre Eva e Deus. Segredo absoluto, esse o acordo que foi feito entre elas duas.