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Estava no escritório, quando ouvi um som lá do passado. Um troteado. Hoje, uma raridade. Olhei pela janela. No meio da rua, vi uma carroça parada, atrelada a um burro branco puro. De escuro, tinha só um sinal preto na testa. E as viseiras. O carroceiro forçava-lhe a entrada, de ré, na garagem estreita da casa vizinha, que passava por reformas.
Fiquei a me ver de olhos tapados, sendo forçado a entrar em lugar qualquer, sem saber em que chão iria pisar. Estava ainda com o pensamento a vaguear, quando ouvi ruídos de açoite. O homem usava de sua autoridade adicional para pôr o coitado do animal dentro na garagem. Não teria ele direito de escolha. O chicote fustigava seu lombo. Sem dó.
Não demorou muito, a carroça estava lotada de resíduos da reforma da casa. O animal, ora com carga tão pesada, persistia alheio aos berros do homem, quiçá desencorajado de sair de onde entrara aos trancos. Para despertar seus sentidos, lá se vão mais vergalhadas.
Passado um tempo, o pobre animal, cabisbaixo, sem sequer soltar um relincho, começou a andar. Passos lentos. Apanhara para entrar e agora, ao sair tinha o corpo lanhado. Assim, foi descendo a rua, com o sino que levava no pescoço a fazer belém –dem - dem...
Ao vê-lo no final da rua, cismei. Aquele animal, a arrastar sua árdua carga, encontraria outros embaraços pelo caminho. Em qualquer um que fosse levado a percorrer depois do final daquela rua, ele teria morro a subir, sinais de trânsito a respeitar.
É. Qual dos dois seria mesmo o burro........ Ou qual dos três. Entrei na história. Vi-me, corpo e alma, como um ser semelhante ao burro, a trabalhar quatro, cinco meses a cada ano e........ Calado. Com viseiras. Certo de que o fruto destes quatro ou cinco meses de meu trabalho seria para entregar, de mãos beijadas, ao senhor todo poderoso, nosso Governo. E isso não é raridade nos dias de hoje.

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Recados
Aproveito este espaço para deixar meus cumprimentos à Secretaria de Cultura de Pará de Minas pela feliz realização do PARABENJAMIM – 1º FESTIVAL DE PALHAÇO. Maíza, José Roberto e todas as pessoas que participaram dos preparativos e da realização desse evento: parabéns!!!!!!!!!!!!!!!!!
Quero também cumprimentar o “Grupo de Teatro Maracutaia”, de Pará de Minas, pela brilhante apresentação na abertura do festival. O Maracutaia, com graça, harmonia e muita criatividade, representaram o belo roteiro de José Roberto Pereira sobre vida e obra de Benjamim de Oliveira.

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