| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | ||||||
| 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 |
| 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 |
| 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 |
| 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 |
| 30 | 31 |

Nunca admiti que o sofrimento pudesse levar o ser humano ao crescimento. Afirmava que sofrimento causa dor, somente dor. Que a felicidade, a alegria, sim, elas poderiam levar ao crescimento. O que faltava nestas idéias era um pouco mais de reflexão. De sobra havia uma resistência em aprofundar o assunto.
Mas, acabei tendo de quebrar esta barreira quando li o livro “Quando o sofrimento bater à sua porta” do escritor, professor Fábio de Melo, que também é padre, cantor e compositor.
É o segundo livro que leio deste autor e novamente me encanta sua forma objetiva, clara, inteligente de dizer sentimentos. Sentimentos estão na linha da emoção, daí nossa dificuldade em palavreá-los. Para dizer sentimentos, muitas vezes, temos que fazer um exercício de distanciamento para, desta forma, perceber as várias faces do mesmo. Talvez um exercício comum aos artistas plásticos que sobre um mesmo objeto deixam incidir variadas luzes para descobrir variadas sombras. Um exercício de pontos de vista.
O livro todo é um convite à reflexão. São palavras que podem mudar vidas. Como escritora, fico fascinada com esta capacidade da palavra: ser luz. Também como escritora, muitas vezes, fico desanimada, mediante ao fato de ver o quanto ouvimos pouco o “grito” da palavra. Ela sozinha, presa ao papel, tão frágil... Mas ela mesma vem em meu socorro dizendo de sua força transformadora. Fico revigorada. Sei que palavras são sementes, podem cair em terreno fértil.
Gostei particularmente do trecho que o autor diz: “São perguntas que nos seguram na dinâmica da vida” (pág. 75). O capítulo é um chamado a fazermos a “pergunta certa” e mais do que isto, mostra-nos que conviver com nossas perguntas, sem nos incapacitar, é uma sabedoria que deveríamos buscar.
Há uma poesia latente em “O pai, o menino e o rio...” (pág. 96). “É a vida. É o tempo. É a agonia de cada rosto. É o rio. É o menino. É o pai. É o pedido. É a resposta que não responde”. O livro é coroado por belos poemas do autor e outros de igual quilate. Poesia-filosofia... Eu nunca saberei onde termina a poesia e começa a filosofia e vice-versa. Poetas e filósofos caminham de mãos dadas.
Brilhante também é forma com que o autor pensa o milagre: “ o milagre é realizado a quatro mãos. Mãos de Deus e mãos humanas.” Explica a maturidade a partir da capacidade de assumir as responsabilidades.
Terminei a leitura com a sensação de plenitude. Tenho em casa quem pense exatamente da mesma forma do autor e, meu prazer em ler este livro passa também pelo sentimento de descobrir a existência de mais um que busca acender a luz no mundo. Bom demais!
Quanto ao sofrimento que faz crescer, aprendi: existem cascalhos e diamantes... só os diamantes podem fazer crescer. Diamantes... de amantes; amantes, aqueles que amam. No sentido mais profundo a palavra amor: “emprestar a asa que nos é ausente.” Se em Adélia Prado “Amar é sofrimento de decantação” podemos dizer: amar é sofrimento de lapidação.
Agora vejo que a felicidade é sol possível depois da tempestade. Uma questão de escolha, sem dúvida, mas também de seqüência lógica se assim permitirmos.
Não quero contar o livro todo para não cair no pecado de quem conta o filme pensando que assim está incentivando alguém a vê-lo. Coisa chata! Nada disso. Quero é dizer a você que tem muita coisa boa para ser lida esperando nas livrarias, nas bibliotecas, nas estantes. É preciso atitude. Minha sugestão está aí.
Livros assim me deixam em estado de agradecimento.

criado por academiadeletras
13:56:47
MULHER
Terezinha Pereira
Ano de 1.857. Oito de março. Eram cento e vinte e nove mulheres trabalhando numa fábrica têxtil em Nova York. Queriam ganhar salário igual ao dos homens, uma vez que executavam as mesmas tarefas. Queriam também a redução de uma jornada de trabalho que durava até dezesseis horas. Nesse dia oito de março resolveram reivindicar o que julgavam de direito. Acontece que foram queimadas vivas dentro da fábrica. Simples. Eles tinham a força. Eles tinham o poder. Reconstruiriam a fábrica. Outras mulheres fariam o mesmo trabalho, até mesmo para ganhar um salário menor. Nada como o medo........ No primeiro Congresso Internacional das Mulheres realizado na Dinamarca no ano de 1.910 escolheram o dia oito de março para ser comemorado o Dia da Mulher. Precisaria?
Por séculos e séculos, a mulher fora treinada para viver sob as ordens do ser considerado superior. “Lugar de mulher é dentro de casa.” “Mulher de família não sai desacompanhada.” “Mulher só dirige bem um fogão.” Mulher nasce com o direito de usar roupa cor-de-rosa e brincar de boneca. Crescendo, ganha o direito de auxiliar a mãe nas “leves” tarefas domésticas, serviço à-toa. O irmão acompanha o pai nos passeios, que ninguém é de ferro, trabalha dia inteiro com trabalho pesado de corpo ou de cabeça na firma. Trisavó, bisavó, avó, mãe e filha têm o mote gravado nas profundezas do subconsciente. Estudar? Bem, só até o curso normal está bom. Profissão de mulher fora de casa podia ser exercida na escola, ensinando crianças a ler e a escrever.
O surgir da pílula anticoncepcional provoca alguma mudança. Além das obrigações de dona de casa, a mulher ganha o “direito” de lutar por uma carga adicional de trabalho. Com uma quantidade menor de filhos, pode estudar na faculdade, trabalhar em bancos, no comércio, nas escolas de segundo grau, nas faculdades, nas grandes indústrias. Isto é, há uma certa condição: a mulher “não precisa” dividir a obrigação do trabalho doméstico, é claro, porém, os frutos do trabalho feminino extracasa “ podem” ser divididos...
Ao adquirir o direito de sair de casa para trabalhar, a mulher mais uma vez, deu de cara com a prepotência, com a força daqueles que se julgam donos de tudo. O assédio sexual, antes conhecido em áreas do trabalho doméstico e escravo, passou a ocorrer nas empresas. Um sem contar de vezes, o direito ao trabalho ou a um melhor salário fica condicionado a concessões de ordem sexual por parte da mulher.
Se, no Brasil, a mulher ganhou o direito do voto em 1934, somente em 1994, é que uma candidata a governadora de estado foi eleita pelo povo. Em 1998, uma outra quase chega no segundo turno em São Paulo. Foi atropelada pelas pesquisas. Onde já se viu uma mulher governar o maior estado do país. Antes das eleições de 1.998, 6,4% dos congressistas eram mulheres. Um percentual que se difere pouco do resto do mundo, mesmo levando em consideração os países mais desenvolvidos.
Apesar de a prostituição feminina acontecer com a anuência de dois parceiros, somente a mulher é condenada pela lei e pela sociedade. Um cliente nem mesmo é julgado por se deitar com uma prostituta. Se a mulher mata o marido é considerada assassina, com “direito” a pena máxima. Morta pelo companheiro, o crime é passional. Num passe de mágica, surge um amante para a mulher assassinada que, sem haver tido o direito de continuar viva, não vai negar a existência do suposto. Nem vai berrar que, durante vida inteira de casada, havia andado às voltas com o desejo de se deitar ao lado de um homem apaixonado e muito carinhoso, que dividisse com ela, além da cama, frutos do trabalho, tarefas do lar e cuidados com os filhos que não fez sozinha. Fato que ocorre no mundo todo.
Modernos equipamentos da tecnologia vêm permitindo que a mulher tenha uma gravidez mais saudável. Mas, a mesma prepotência do início dos séculos, em muitos países, faz uso dessa tecnologia para impedir o nascimento de crianças do sexo feminino. Em alguns lugares roubam das mulheres até mesmo o direito de sentir prazer cortando-lhes o clitóris........!
Mulher, guerreira por séculos e séculos, sua luta continua. Sua força é sutil, mas infinita. Você tem o poder de embalar uma vida dentro de seu corpo durante o tempo estabelecido pela natureza para que ela venha ao mundo. De sua força, de sua garra, de seu carinho, de seu amor, de seu corpo é que depende o futuro da humanidade. Para que um dia do ano a lhe ser dedicado? Você é dona dos todos os dias do ano.

criado por academiadeletras
14:36:08

criado por academiadeletras
09:13:25
Márcio Simeone
Quando eu era criança, meu tempo não tinha segundos. Quando o mundo era criança, o tempo era só o do fazer e dependia. Dependia de alguém virar a ampulheta e fazer escorrer a fina areia. Eu dava corda no tempo. O tempo era meu, era nosso, construía uma era. Era nova, o mundo cresceu - e depende. Depende do tempo medido, que não medimos, tempo atômico que a máquina mede. Mede-se ele próprio e é preciso. É preciso que o tempo nos avise que é hora disso ou daquilo. O tempo fora de mim já não é o meu tempo. Quem dá corda no tempo? Cresci e meu tempo está fora de mim. Virou calendário! Ele me faz e desfaz. Hoje vou brincar com o tempo, nem que por um minuto. Sejam quarenta e três anos o giro da ampulheta. Tempo que voa, insignificante na eternidade, mas este tempo é só meu.

criado por academiadeletras
21:14:44
Seu nome era Francisco da Silva
De pia e de papel
Simplesmente da Silva,
Filho do Sô Chiquito
Quem nem da Silva era.
Sô Chiquito era Francisco de Assis
Nome dado em homenagem ao santo
Em Assis mesmo, nunca pisara
Nem soubera pra que lado ou canto.
Nome dado pelo vô Chico
Homem devoto e trabalhador
Que não era da Silva nem de Assis
Era somente o sô Chico
Era assim que o chamavam
Não tinha no papel
Nem batizado o pobre fôra
Nem daquela terra era
Era o sô Chico de nada
Sô Chico de ninguém.
Sô Chico de lugar nenhum.
Sô Chico só.
Filho de quem?
Nem a mãe jamais soubera
Podia ser do Doutor Francisco
Podia ser do Chicão doido
Podia ser de qualquer um
Mas não era de ninguém
Por isso sô Chico era
Sô Chico só,
Só como ele só.

criado por academiadeletras
13:13:33