Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.
Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.
A delimitação do meu reino começa num pé de ipê amarelo que floresce duas vezes por ano, inexplicavelmente; daí segue em rumo nascente até um pé de acácia que atapeta também de amarelo vasta extensão ao seu redor; prosseguindo, morrinho acima, vai até o marco de pedra cravado ao pé de um carvalho enorme, mais antigo do que todas as árvores da região, que abriga em sua sombra incontáveis ninhos e pássaros; daí, vai até um pé de coité, onde a gente apanha as cabaças para fazer grandes copos e portas-paçoca; segue então até uma vereda que termina num pé de araticum, a espalhar forte e adocicado odor; seguindo o rumo do cheiro, vai por uma estradinha de tropa até onde ficou de ser colocado um marco de sucupira bem bonito, perto de quatro enfileirados pés de pequi; daí, vai até um toco de pau coberto de cogumelos, bem no espigão; quando chega lá em cima, começa a descer no rumo do poente, até a mina d’água cristalina, cercada de pedras brancas e samambaias choronas; deste ponto, águas vertentes, alcança uma lagoinha, onde há uma roda d’água e um moinho de fubá; então, contornando os tico-ticos, segue um fiapo de corguinho até a barra de outra veredinha; faz então uma curva de cotovelo seguindo a terceira barra do outro pequeno galho dessa veredinha; começa uma ligeira subida, de novo, deste pequeno galho até uma grota, onde morou antigamente uma onça pintada que apavorava todo mundo; daí, vai até o marco formado por um pau d’arco com uma forquilha de dois galhos; deste ponto tão bonito, segue, de noite, o rumo das estrelas e, de dia, até um bambuzal que canta com a ventania; vai, então, em linha mais ou menos reta, até um capãozinho fronteando um pé de pau desconhecido mas muito frondoso; do ponto desse pé de pau, seguindo uma vereda grande, chega ao pé de ipê amarelo que floresce inexplicavelmente duas vezes por ano, onde começou esta demarcação. O meu reino confronta, a partir do início dos limites e seguindo a ordem dos marcos, primeiro com terras do finado Zebedeu; depois com a Fazenda Bom Destino; depois com uma nesga da Fazenda Esperança; pega uma divisa miúda com a Vila Paquita e a Vila Fátima e depois com terras da viúva Tereza; e, seguindo, com terras do João Garrucha; daí, fechando o colar, descontando a estradinha que faz com que meu reino não fique encravado no oco do mundo, divisa com a Fazenda Bom Vizinho, que faz jus ao seu nome. No espigão, construí uma casa, de tijolo comum, com duas varandas viradas de costas uma para a outra. E, em cada varanda, pendurei uma rede. Espichada numa das redes, vejo o nascer do sol e o último brilho da estrela D´alva. E, na outra, o entardecer, escutando a barulhada dos passarinhos que saúdam o fim do dia. O reino não está à venda nem será feito qualquer acordo com nenhum desapropriante. A única transação aceitável é pelo usufruto sempiterno de uma estrela.