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Em uma aldeia ao norte da costa oeste do centro do hemisfério sul, chamada Natalidade, toda criança que nasce recebe o nome de sentimentos: Alegria, Felicidade, Amor... e mesmo que os nomes se repitam, não são iguais, pois toda criança é única e toda felicidade também.
Em Natalidade há uma particularidade: sempre é Natal. E em vez de “Bom dia”, “Boa tarde” ou “Boa noite”, os moradores dizem “Feliz Natal”!
Cada dia que nasce é saudado como um grande e Feliz Natal!
Seu povo é bom, honesto, trabalhador. São poucos habitantes e moram na simplicidade e na beleza própria de Natalidade.
Em toda casa não há pinheiros com luzes nem bolas coloridas, mas há em todas elas um jardim com flores e cadeiras, bancos, onde, à tarde, eles se encontram para ver o pôr-do-sol. Aí, em silencio, despedem do dia e juntos com a noite que anuncia, eles começam a cantar baixinho: “Noite Feliz... Noite Feliz... Ó Senhor Deus de Amor...” E vão para a mesa dividir o pão que nunca falta.
O lugar é mágico, parece ter saído de um livro, mas não. Ele existe. Já recebeu nomes vários por pessoas sérias que se não conheceram Natalidade, sabem dela por outras maneiras.
Perguntei a um morador qual o sentido do Natal em Natalidade. Ele respondeu que o sentido é o Nascimento. Eles celebram o nascimento de Deus, o menino, que trouxe a verdade e a luz.
Conheci Natalidade por acaso e voltei só para contar que ela existe e vale a pena procurá-la.
Na ceia, eles não servem exageros, o prato principal é o encontro e de sobremesa servem alegria.
Há em Natalidade uma vontade imensa de paz. E eles rezam juntos para assim preservá-la. Um desejo é sempre uma oração.
Os Natalícios, como são chamados o povo de lá, são hospitaleiros e, apesar de serem povos perdidos no mapa, recebem com festa todo forasteiro, pois eles sabem que somos irmãos.
Nas escolas de Natalidade, a matéria principal é Valores. E quais são eles? Com certeza não são dólares, euros, real ou sal. E mesmo a bondade, a justiça, a generosidade, a alegria, dentre outros tantos.
De vez em quando, um morador de lá se muda para o mundo e então são naturalizados em suas terras, mas nunca conseguem viver sem o eterno espírito de natal. Talvez você até conheça algum Natalício e não sabe e nem é tão difícil assim identificá-lo,
Veja: às vezes são vistos como meio “loucos”, pois normalmente não atendem ao padrão normal, riem muito e choram fácil, mas nunca se amarguram. Gostam de festa e qualquer encontro já é, para eles, motivo dela. Cantam, dançam, tocam bandolins, koras, violinos, violões, flautas, harpas, trombones, piano, caxixi, panela e acordeão e se abraçam com grande ardor, pois o fazem de coração. Eles têm sempre palavras doces para os amigos e até para os simplesmente desconhecidos. Lembram-se do aniversario de todos e o fazem sem cobranças, pois o amor que conhecem é gratuito e límpido, sem amarras. Podem vender a imagem de bobos, coisa que nunca foram ou serão. Eles sofrem mais do que qualquer um quando vêem violência, injustiça, preconceito, maldade. O sofrimento do outro é motivo para sua luta diária. Desejam, na verdade, transformar o mundo em Natalidade.
Eu nem digo que não possam...Sei a força que tem a fé capaz de mover montanhas, abrir olhos...
Não me peçam para traçar pra ninguém a trilha, o caminho para Natalidade. Já disse que a encontrei por acaso. Desconfio que Natalidade só pode ser encontrada pela pessoa mesma ou ainda que é Natalidade que encontra a pessoa. De toda maneira, é uma descoberta intransferível e única. Mas, com certeza vale a Vida! Feliz Natal!

criado por academiadeletras
13:49:23