Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

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Terra Blog

Arquivo de: Dezembro 2008, 04

04.12.08

Raul, o gato!

Raul, o gato!
                                                                              Paulo Roberto dos Santos



O gato é um mamífero pequeno, da família dos felídeos, domesticado há milhares de anos pela humanidade. Ágil, esperto, manso, bravo, desconfiado, arredio, dócil, habita os nossos lares e, há muito, ora é coadjuvante ora, protagonista nas cenas domésticas.

Em casa, nunca tive a oportunidade de criar um felino. Talvez medo de sua procedência traiçoeira. Que gato não lembra um tigre ou uma onça-pintada? Excesso de zelo de minha parte, pois habitam os muros e quintais da casa e nem por isso aprontam. Preocupação plausível, apenas pelos belgas a entoar suas oitavadas. Presas potencialmente fáceis a qualquer investida da gataria da redondeza.

Raul parece que fez morada num antigo canil, nos fundos do meu quintal, bem em frente à janela do meu quarto. É folgado o indivíduo. De vez em quando, fico admirando a sua tranquilidade. Se eu o observar por uma hora, durante todo esse tempo, exibe seus dotes físicos e habilidades de malabarista. Raça ruim! Gato vira-lata. Deve ser mais um indesejado da vizinhaça, escurraçado de algum canto pelo dono, com medo de que lhe comesse os canarinhos.

Quando quer dar uma volta, enquanto não alonga todos os membros, não arrisca os primeiros passos. Só aí se equilibra no muro, elegante, sincronizado, esbelto e nobre como seus primos distantes: tigre, leão e leopardo, desviando-se dos fios da cerca elétrica, até desaparecer do ângulo de minha visão.

Se minhas cachorras não fossem tão anti-sociais, com certeza já o teria adotado. É silencioso, discreto e parece que sobrevive com muito pouco, aliás, como todos os outros animais, com exceção dos racionais.

Esporadicamente, executa um pagote, um chorinho, um hip-hop em plena madrugada. Nada que interrompa o meu sagrado sono ou me provoque insônia. Descobri tratar-se de suas orgias sexuais.Gato safado! Quem o vê tranquilo, sereno, quase anônimo, não imagina o galanteador e conquistador das gatinhas nas noites quentes e de lua cheia.

Quando abro a janela pela manhã, lá está ele a espreguiçar. Parece que acorda junto comigo. Não sei se quando acendo a luz do quarto ou quando abro a janela. No horário de verão, só falta raiar comigo. Quase lhe peço desculpas, afinal, não tem que cumprir horário: assinar ou bater o ponto ou passar o cartão magnético.

Certa manhã, depois de uma madrugada de excessos libidinais, espreguiçou-se tanto que teve uma distensão muscular na região sacro-lombar. Gemeu, miou, ronronou tanto e com tal intensidade, que tive que levá-lo ao médico. Gato sem estirpe frequentando consultório veterinário. E não é que o bichano teve que ficar imobilizado? E assim ficará por alguns dias. Quem sabe quando se recuperar, saberá dosar melhor os seus alongamentos ou suas orgias. Não tenho dúvida, “gato escaldado tem medo de água fria.”

Quanto à sua adoção, acho que a fiz desde aquele primeiro dia que fiquei a observá-lo por uma hora.