Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

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Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2008, 25

25.09.08

LITERATÚNEL II - Parabéns EE Fernando Otávio

Literatúnel: caminho da luz


Breu. Foi assim o começo. “Literatúnel I”. Nas esquinas, surge o claro, o desvendar da História. Apontadas no escuro do túnel, veredas. Primeiro, o português quinhentista, vindo com os navegadores. Tempos depois, o nascer da língua portuguesa exuberante do barroco. E........ O parnasiano... Os outros. Os ismos: romantismo, realismo, modernismo. Assim conta-se da literatura brasileira.

Meio a romantismo, com toque do realismo, surge a grande obra de Machado de Assis, que nascera em 1839. Casado com sua amada Carolina, não teve filhos.

“Literatúnel II” presta homenagem aos dois grandes autores brasileiros que, simultaneamente, viveram um curto espaço de tempo, de 21 de junho a 29 de setembro de 1908.

“Literatúnel II”, 2008. Há cem anos, Machado partiu: 29 de setembro de 1908. Seu grande legado ficou para os leitores.Um tesouro que, quanto mais compartilhado, mais rico fica.


Em 1908, 21 de junho, em Cordisburgo, bem no interior de Minas, havia nascido o menino João Guimarães Rosa. Não veio para o lugar de Machado, nem para lhe copiar as palavras. Aproveitou-as. Recriou-as. Diferençou.
                                                               ***
Parabéns aos diretores, professores e alunos da “Escola Estadual Fernando Otávio”. Repito o que lhes disse em 2007 a respeito de “Literatúnel I”: Quem não viu, perdeu!

Terezinha Pereira

TEREZINHA PEREIRA/ Lindolfo Xavier ...Machado de A

                  Lindolfo Xavier, escritor e jornalista de Pará de Minas,
                         que conviveu com Machado de Assis – parte I 


                                                                       Terezinha Pereira

Lindolfo Xavier (Lindolpho Otávio Xavier) nasceu em Pará de Minas em 19 de fevereiro de 1876. Foi contista, poeta, teatrólogo, ensaísta, jornalista. Era filho de Fernando Otávio da Cunha Xavier e de Maria Amélia Xavier Capanema..


Lindolfo Xavier foi vereador na Cidade do Pará no período de maio de 1900 a janeiro de 1902. Logo após a inauguração de Belo Horizonte, a nova capital de Minas, ele mudou-se para lá, onde viveu por algum tempo. Em abril de 1907, ele mudou-se para o Rio de Janeiro a convite de Afonso Pena, então Presidente da República, para trabalhar no “Ministério da Viação e Obras Públicas”. No “Ministério da Viação” teve como companheiro de trabalho o grande escritor Machado de Assis, de onde ele era o Diretor Geral de Contabilidade.

Joaquim Maria Machado de Assis, para muitos, o nosso escritor maior, além de ter sido um mestre das letras, exerceu essa função importante como funcionário público no Rio de Janeiro, onde sempre trabalhou, desde quando foi nomeado para o cargo de “amanuense”, em 1873, ainda no tempo da monarquia.

Lindolfo Xavier escreveu diversas obras como: peça de teatro, livros didáticos de Geografia, História, crônicas, contos e novelas. Em seu livro “Machado de Assis no tempo e no espaço”, que chamou de “um ligeiro ensaio”, ele fala de como via o grande escritor como seu colega de trabalho e de como era a vida pública do escritor “no tempo e no espaço” em que com ele conviveu, no Rio de Janeiro, de 1907 até 1908, ano da morte de Machado.

“Machado de Assis no tempo e no espaço” foi escrito por ocasião “2o. Congresso das Academias de Letras”, em que se comemorava o centenário de nascimento de Machado, nascido em 1839. Foi publicado em 1940, pela Coeditora Brasílica Cooperativa, Rio de Janeiro.

Tomar conhecimento de que um cidadão de Pará de Minas conviveu com tão importante escritor despertou-me a curiosidade. Quando pesquisamos sobre Machado, podemos encontrar muita coisa a respeito de sua obra, de sua biografia. Porém, torna-se precioso poder conhecer alguma coisa a mais sobre ele, narrado por um cidadão de Pará de Minas que com ele, nem que seja por pouco menos de dois anos, compartilhou tempo e espaço.

Em seu livro, Lindolfo Xavier comenta: “Machado de Assis, na chefia da Contabilidade, convivia com Ministros, desdobrava-se em vertiginoso expediente, lia e estudava os processos, opinava com clareza e segurança de pontos de vista. Impugnava contas, requisitava esclarecimentos, reclamava provas e documentação das despesas. Meticuloso no confronto das colunas dos gastos com as verbas orçamentárias, exigia que os assuntos dos quais tratava fossem bem esclarecidos. E só aprovava um processo, quando não tinha mais nenhuma dúvida sobre o mesmo.

Segundo Lindolfo “Machado era atencioso, ágil, solícito, delicadíssimo. A todo momento estava no gabinete do Ministro, no desempenho de suas funções.” A respeito da grafia de Machado de Assis, ele comenta: “A letra de Machado de Assis, firme, inalterada, legível e forte, estirava-se pelas folhas, ora breve, em lacônico parecer, ora em linhas cerradas, de grafia inconfundível, com os períodos curtos, certos, frisantes, mostrando o estilete da crítica severa, em função de julgamento dos assuntos que examinava. Contas e relatórios, aberturas de créditos e aplicação de verbas orçamentárias aos serviços públicos nacionais, tudo merecia dele minudente estudo. Esse funcionário não se limitava ao despacho nas horas de expediente oficial. Na sua pasta de marroquim preto, levava papéis para casa e os estudava calmamente nas horas da noite destinadas ao repouso”. E ainda: “Afogado na massa do trabalho, sem dar folgas a si mesmo, foi assim que ele conseguiu, sozinho, as promoções, até chegar ao posto de diretor geral de contabilidade.”

Para não esticar muito este artigo, proponho ao leitor um ou dois artigos para que possa lhe contar sobre outras impressões de Lindolfo Xavier a respeito de seu imortal colega de trabalho no “Ministério de Viação e Obras Públicas”, situado na cidade do Rio de Janeiro, que até 1961 foi a capital do Brasil.