Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.
<  Setembro 2008  >
S T Q Q S S D
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30          
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2008

28.09.08

TEREZINHA PEREIRA/ Lindolfo Xavier X M. de Assis 3

Lindolfo Xavier, cidadão de Pará de Minas
que conviveu com Machado de Assis – parte 3



Caro leitor(a), se não se sentir incomodado, leia mais um pouco a respeito das impressões de nosso conterrâneo a respeito do tempo em que ele conviveu com um dos mais importantes escritores brasileiro, se não o mais. Na primeira e segunda parte desse artigo, comentava de fatos interessantes que Lindolfo Xavier narra em seu livro “Machado de Assis no tempo e no espaço”.

O leitor conhece que Machado ficou viúvo de sua amada Carolina Augusta Xavier de Novais, portuguesa, com quem se casara em 12 de novembro de 1869, no ano de 1904, após viverem juntos por 35 anos. Como não tiveram filhos, não tinha herdeiros para seus bens nem para os direitos autorais de seus escritos.

Em seu livro, Lindolfo conta que, Machado de Assis, pouco de falecer em 29 de setembro de 1908, vendera todos os direitos autorais de seus livros (30 livros em prosa, verso, teatro: romance, contos, sátiras e apólogos, publicados de 1869 a 1908) à Livraria Garnier, por “oito contos de reis”. Como concordava com o comentário que circulara pela imprensa naquela ocasião, de que o valor de “oito contos de reis” seria ínfimo para uma tão grande obra de arte da literatura, quiçá a mais importante obra literária brasileira até os dias de hoje, o autor para(min)ense registrou em seu livro que “O espanto que tal revelação nos causou foi atenuado pela explicação que os próprios livreiros divulgaram, ao jornal O Globo: a obra é de difícil venda. O povo não a compreende, está acima da capacidade do leitor vulgar”.

Opinando como leitora de Machado de Assis, diria que esses cem anos que se passaram após a sua morte em 29 de setembro de 1908, servem para desdizer que o povo _ tido pela imprensa e livreiros daquela época como “leitor vulgar”_ tem a capacidade de ler a escrita machadiana como uma literatura moderna, atual, que ainda será degustada por muitas gerações de leitores do Brasil e do mundo. Creio que essa seja também a opinião da maioria dos seus leitores _ comuns ou doutores.

Espero haver deixado a quem leu este artigo, parte importante da narrativa de um cidadão desta cidade, filho de Fernando Otávio da Cunha Xavier e de Maria Amélia Xavier Capanema, vereador na “Cidade do Pará” de maio de 1900 a janeiro de 1902, a respeito de seu tempo de convivência com Machado de Assis, como seu colega de trabalho. Difícil transpor o que está em 115 páginas do livro de Lindolfo num texto de seis páginas.

*****

OBSERVAÇÃO I

Além de “Machado de Assis no tempo e no espaço”, escrito em comemoração ao ano do centenário de nascimento de Machado em 1939, Lindolfo Xavier escreveu outros livros _ didáticos e não didáticos como romances, novelas, crônicas, peças de teatro.

Na bibliografia de Lindolfo, estão registrados títulos de livros didáticos:
_ “Geografia do Brasil” – Edição Pimenta de Melo & Cia, 1922
_ “Geografia Comercial” – Edição Jacinto Ribeiro dos Santos, saíram 3 edições: 1922, 1925 e 1929
_ “História do Comércio, da Agricultura e Indústria”, 1926

E de livros não didáticos:
_ “Ruínas”, peça representada em 1915, no Teatro Trianon, no Rio de Janeiro.
_ “Oásis” (gênero não especificado), 1917
_ “Esperança” ( gênero não especificado), Edição Pimenta de Melo & Cia, 1927
_ “Crônica de um tempo alegre”, romance *
_ “Horas do sertão”, novela nativista *
_ “Bumba meu boi”, obra de costumes cearenses *
_ “Pioneiros e Semeadores”- Caderno de Memórias 1, foi publicado em 1956, quando Lindolfo estava com 80 anos de idade. (Há um exemplar desse livro no Museu Histórico de Pará de Minas.)

* Não foram encontradas a data de publicação dessas três obras.

Observação II

Gostaria de solicitar ao leitor que conheça ou seja um descendente de Lindolfo Otávio Xavier, aos familiares de Fernando Otávio da Cunha Xavier e Maria Amélia Xavier Capanema que, caso tenham algum dos livros escritos por esse nosso conterrâneo, que o deixem como um legado ao MUSPAM- Museu Histórico de Pará de Minas. Essa atitude enriquecerá o acervo de nosso museu e contribuirá para o registro da história da literatura de nossa cidade.


26.09.08

TEREZINHA PEREIRA/ Lindolfo Xavier... - parte 2


Lindolfo Xavier, cidadão de Pará de Minas
que conviveu com Machado de Assis – parte 2


Venho trazer ao leitor mais algumas das impressões que o professor, jornalista e escritor, Lindolfo Xavier, nascido em Pará de Minas, em fevereiro de 1876 e falecido no Rio de Janeiro deixou registradas, após conviver com o escritor Machado de Assis em 1907 e 1908. Para lembrar: Linfolfo Xavier trabalhou no Ministério de Viação no Rio de Janeiro, em 1907-1908, ao lado de Machado de Assis, quando este era diretor geral de Contabilidade daquele ministério.

A respeito das horas de lazer do escritor e colega de trabalho, que Lindolfo classificava como ‘fenômeno’, ele conta: “Na casa dos Barões de Vasconcelos, mantinha o poeta das Falenas o hábito de freqüentar o jogo familiar do besigue, do xadrez, do gamão, do Main-Jaune, do sete e meio, das damas. Aparecia, invariavelmente, às 8 da noite, com Carolina (a esposa), que não jogava: batalhava com as cartas e com os tentos, ou com as pedras, discutia, gaguejava, retardão: gostava de ganhar sempre, mas não era de jogo de dinheiro. Às 11horas retirava-se com Carolina.”

Durante a última conversa que Lindolfo teve com Machado de Assis, em 1908, esta presente também p escritor Artur Azevedo. Falavam de Afonso Arinos, autor que retratava em seus textos os sertões brasileiros. Lindolfo, então, contou a Machado sobre algumas ocasiões típicas de Minas: as festas de “acabamento de capina” que aconteciam nas margens do rio Paraopeba, no município de Pitangui; os batuques na Fazenda do Junco, nas regiões de Pompéu, comemorações que demonstravam a alegria primitiva e rude das violas, dos sapateados, das embigadas e também no aboio do gado. Segundo Xavier, teria Machado agradecido por aquele momento de reminiscências do sertão de Minas, acrescentando: “Há tanto entusiasmo nessa vida selvagem!”.
Sobre os últimos momentos de vida do escritor, Lindolfo comenta: “Trabalhou até bem perto do término de seus dias. A lucidez acompanhou-o sempre, a ponto de só se afastar dos deveres para dar o mergulho na eternidade”.

Em “Machado de Assis, no tempo e no espaço”, Lindolfo Xavier transcreve parte da sua crônica que foi publicada no “Jornal do Brasil”, em 11 de outubro de 1908, segundo ele mesmo, logo após o “trespasse” Machado, ocorrido em 29 de setembro de 1908. É um texto que revela a grande emoção de sua convivência com o grande autor e que também nos revela traços da grandeza de sua obra:

“ Um coração parou. Parou de pulsar um engenho sublime, que foi feito para arquitetar construções de altos estilos e de primorosas linhas. Gelou-se o cérebro que iluminou meio século das letras brasileiras. Muitos não o leram. Poucos o conheciam. Mas, para quem o lera com atenção e carinho, recolhendo as rosas de seu estilo, e com ele convivera em grato labor, como aconteceu com a pessoa que está escrevendo estas linhas, a parada desse cronômetro é qualquer coisa de extraordinário.

Desse convívio ficou admiração dobrada e saudade legítima. Tanta grandeza, quanta lhaneza; tanta modéstia, quanto valor!

O culto, que se vai iniciar, a grande consagração ‘post-mortem’, única legítima e real, dirá sobre o juízo da posteridade. Mas, nós, seu contemporâneos, antecipamos o juízo dos pósteros, lançando sobre a lápide rosas e jasmins, lírios e loiros, símbolos do afeto e da glória.

 A morte, que o colheu, na entrada do décimo septenário de vida de vida, trouxe, para justificá-la do dano que vinha causar às letras brasileiras e aos seus amigos, as duas seguintes razões: 1a. a senectude; 2a. a obra terminada.

E ele aceitou essas razões, acrescentando, talvez, outra maior: a viuvez.
Certo dia, em nome do titular da pasta de Viação, quem estas linhas escreve fora levar ao escritor enfermo uma visita de especial carinho e apreço, com os votos do pronto restabelecimento ao emérito servidor do Estado e tão grande nome das letras brasileiras.

Ao ouvir os votos que o Ministro, por nosso intermédio, formulava e que nós, vários amigos presentes, secundávamos, de longa vida e saúde, o escritor volveu, num tom de infinita melancolia:

_ Ah!, Sim. E a dor de viver?...

Esta frase expressiva ouvira-se-lhe dos lábios, muitas outras vezes, no último período da sua enfermidade. Todavia, esse estado de alma, que durou por quatro meses, desde que seus sofrimentos se agravaram, não impediu que, nos últimos momentos, quando, de fato, a sombra se lhe vinha baixando sobre os olhos, ele exclamasse, perante os seus mais íntimos amigos:

_ Tenho saudades da vida!...”

Outras palavras de Machado que Lindolfo registrou na sua crônica ‘post-mortem’:

“_ Um livro, respondeu-nos Machado de Assis, é uma coisa muito séria. Quando se começa a escrevê-lo, é uma empresa que se não deve deixar no meio. E quando temos a certeza de não o poder acabar, não o devemos começar.”
..............
Grande Machado! Encantou tanto as gerações ávidas de sua leitura, deu-lhes tanta fantasia leve, em estilo de doce ironia, que jogava parelhas com as páginas fulgurantes de Eça de Queiroz, de quem era irmão na beleza, na precisão da forma rebuscada, cheia de novidades e de surpresas!
Na língua portuguesa, ao lado de Garret, Castilho, Herculano e Ramalho, ficam os dois, o autor dos Maias e ou autor de Braz Cubas, como os magos dotados de poder sobrenatural, para encantar-nos e inebriar-nos as horas com a suprema delícia de sua leitura”.

Ao leitor, digo que ainda há mais revelações sobre o ponto de vista de nosso conterrâneo Lindolfo Xavier a respeito da vida e obra de Machado.




25.09.08

LITERATÚNEL II - Parabéns EE Fernando Otávio

Literatúnel: caminho da luz


Breu. Foi assim o começo. “Literatúnel I”. Nas esquinas, surge o claro, o desvendar da História. Apontadas no escuro do túnel, veredas. Primeiro, o português quinhentista, vindo com os navegadores. Tempos depois, o nascer da língua portuguesa exuberante do barroco. E........ O parnasiano... Os outros. Os ismos: romantismo, realismo, modernismo. Assim conta-se da literatura brasileira.

Meio a romantismo, com toque do realismo, surge a grande obra de Machado de Assis, que nascera em 1839. Casado com sua amada Carolina, não teve filhos.

“Literatúnel II” presta homenagem aos dois grandes autores brasileiros que, simultaneamente, viveram um curto espaço de tempo, de 21 de junho a 29 de setembro de 1908.

“Literatúnel II”, 2008. Há cem anos, Machado partiu: 29 de setembro de 1908. Seu grande legado ficou para os leitores.Um tesouro que, quanto mais compartilhado, mais rico fica.


Em 1908, 21 de junho, em Cordisburgo, bem no interior de Minas, havia nascido o menino João Guimarães Rosa. Não veio para o lugar de Machado, nem para lhe copiar as palavras. Aproveitou-as. Recriou-as. Diferençou.
                                                               ***
Parabéns aos diretores, professores e alunos da “Escola Estadual Fernando Otávio”. Repito o que lhes disse em 2007 a respeito de “Literatúnel I”: Quem não viu, perdeu!

Terezinha Pereira

TEREZINHA PEREIRA/ Lindolfo Xavier ...Machado de A

                  Lindolfo Xavier, escritor e jornalista de Pará de Minas,
                         que conviveu com Machado de Assis – parte I 


                                                                       Terezinha Pereira

Lindolfo Xavier (Lindolpho Otávio Xavier) nasceu em Pará de Minas em 19 de fevereiro de 1876. Foi contista, poeta, teatrólogo, ensaísta, jornalista. Era filho de Fernando Otávio da Cunha Xavier e de Maria Amélia Xavier Capanema..


Lindolfo Xavier foi vereador na Cidade do Pará no período de maio de 1900 a janeiro de 1902. Logo após a inauguração de Belo Horizonte, a nova capital de Minas, ele mudou-se para lá, onde viveu por algum tempo. Em abril de 1907, ele mudou-se para o Rio de Janeiro a convite de Afonso Pena, então Presidente da República, para trabalhar no “Ministério da Viação e Obras Públicas”. No “Ministério da Viação” teve como companheiro de trabalho o grande escritor Machado de Assis, de onde ele era o Diretor Geral de Contabilidade.

Joaquim Maria Machado de Assis, para muitos, o nosso escritor maior, além de ter sido um mestre das letras, exerceu essa função importante como funcionário público no Rio de Janeiro, onde sempre trabalhou, desde quando foi nomeado para o cargo de “amanuense”, em 1873, ainda no tempo da monarquia.

Lindolfo Xavier escreveu diversas obras como: peça de teatro, livros didáticos de Geografia, História, crônicas, contos e novelas. Em seu livro “Machado de Assis no tempo e no espaço”, que chamou de “um ligeiro ensaio”, ele fala de como via o grande escritor como seu colega de trabalho e de como era a vida pública do escritor “no tempo e no espaço” em que com ele conviveu, no Rio de Janeiro, de 1907 até 1908, ano da morte de Machado.

“Machado de Assis no tempo e no espaço” foi escrito por ocasião “2o. Congresso das Academias de Letras”, em que se comemorava o centenário de nascimento de Machado, nascido em 1839. Foi publicado em 1940, pela Coeditora Brasílica Cooperativa, Rio de Janeiro.

Tomar conhecimento de que um cidadão de Pará de Minas conviveu com tão importante escritor despertou-me a curiosidade. Quando pesquisamos sobre Machado, podemos encontrar muita coisa a respeito de sua obra, de sua biografia. Porém, torna-se precioso poder conhecer alguma coisa a mais sobre ele, narrado por um cidadão de Pará de Minas que com ele, nem que seja por pouco menos de dois anos, compartilhou tempo e espaço.

Em seu livro, Lindolfo Xavier comenta: “Machado de Assis, na chefia da Contabilidade, convivia com Ministros, desdobrava-se em vertiginoso expediente, lia e estudava os processos, opinava com clareza e segurança de pontos de vista. Impugnava contas, requisitava esclarecimentos, reclamava provas e documentação das despesas. Meticuloso no confronto das colunas dos gastos com as verbas orçamentárias, exigia que os assuntos dos quais tratava fossem bem esclarecidos. E só aprovava um processo, quando não tinha mais nenhuma dúvida sobre o mesmo.

Segundo Lindolfo “Machado era atencioso, ágil, solícito, delicadíssimo. A todo momento estava no gabinete do Ministro, no desempenho de suas funções.” A respeito da grafia de Machado de Assis, ele comenta: “A letra de Machado de Assis, firme, inalterada, legível e forte, estirava-se pelas folhas, ora breve, em lacônico parecer, ora em linhas cerradas, de grafia inconfundível, com os períodos curtos, certos, frisantes, mostrando o estilete da crítica severa, em função de julgamento dos assuntos que examinava. Contas e relatórios, aberturas de créditos e aplicação de verbas orçamentárias aos serviços públicos nacionais, tudo merecia dele minudente estudo. Esse funcionário não se limitava ao despacho nas horas de expediente oficial. Na sua pasta de marroquim preto, levava papéis para casa e os estudava calmamente nas horas da noite destinadas ao repouso”. E ainda: “Afogado na massa do trabalho, sem dar folgas a si mesmo, foi assim que ele conseguiu, sozinho, as promoções, até chegar ao posto de diretor geral de contabilidade.”

Para não esticar muito este artigo, proponho ao leitor um ou dois artigos para que possa lhe contar sobre outras impressões de Lindolfo Xavier a respeito de seu imortal colega de trabalho no “Ministério de Viação e Obras Públicas”, situado na cidade do Rio de Janeiro, que até 1961 foi a capital do Brasil.

20.09.08

TEREZINHA PEREIRA/ Imagine

                                                          Imagine

                                                 Terezinha Pereira


Ele queria fazer uma pintura.
Coisa assim, que deixasse gravado........
sentimento.
Sentimento de mundo. De todas as gentes.

Pegou papel, lápis e vida.
Imaginou o não existir de paraíso algum e inferno nenhum.
Gente vivendo o hoje. Sem a dor do passado.
Sem a insegurança do porvir. Todos os povos.

Lutas? Ideais, o por quê ter que matar? Que morrer?
Sofreres? Pressões? Qual a razão?
Queria........ todos vivendo a vida em paz. Um mundo único.
Seria um sonhador........ Ficou a imaginar.

Certo. Poderia. O único, não seria......
Tinha ânsias. Melhor. Desejo ardente. Se não naquele dia........
Algum dia, alguém, as gentes, iriam se juntar a ele.
E o mundo seria único.

Nem posses. Nem pressões. Maravilhamento.
Nem ganância, avareza, cobiça. Fome nenhuma.
Dores, alegrias, valores.
Um mundo, inteiro. Compartilhado, no entanto.

Um sonhador? Que o digam.
Algum dia, virão seguidores.
O mundo compartilhado........

John pegou papel, lápis, vida.
Lembrou da guitarra. Fez uma música. Imagine.
Escolheu deixar seu grito aos ouvidos do mundo inteiro.

*****

A canção “Imagine”, de John Lennon foi oferecida ao mundo em 1971. Neste mesmo ano, no Brasil, os músicos se preocupavam com paz, com o mundo. Punham nas suas letras, os sonhos, os sentimentos de mundo. Foi neste ano que Chico Buarque construiu “Construção” e Roberto Carlos disse “Todos estão surdos”.