Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008

30.06.08

Vou roubar um pequeno espaço

Antecipo desculpas

por roubar este espaço

VENHAM PARA A FAPAM!

VESTIBULAR DE INVERNO - 2008

Entre em contato pelo site da FAPAM: www.fapam.edu.br

 

29.06.08

- Maria!
Lá estava Maria Pronta.
Bem poderia ser: Maria... ou ainda: Maria. Mesmo que fosse: Maria? Ela continuava pronta.
Às seis da manhã partiam. Desbravadores de terras já encontradas. Bravos e doloridos, nunca encontravam o destino e se iludiam fazendo curvas. Era Maria Pronta, dona de histórias excêntricas...
Esta pronta Maria para ir e vir sempre, correndo atrás de brancas borboletas, estava sempre disponível Maria, pra quando ele queria e ele queria pouco.
Maria se exibia vestida de sol ele não via.
Maria fazia chamego coisa e tal e ele esquecia.
Maria fazia silêncios e ele nem percebia.
Maria Pronta aprontava festas porque o sol nasceu, porque a tarde caiu, porque a noite acordou e ele só dizia: Maria?
E ele: não me toque, não me beije, não me deseje.
E Maria Pronta, pronta estava para deixar de ser Maria, mas nunca deixar de estar a postos, postada, possível. Até que Maria pronta ficou prostrada. Totalmente prosternada. Hibernou um ano inteiro com a cabeça escondida, adormecida.
Não fez nada igual. Nem cheirava café ou outra coisa qualquer. Ficou esquálida, abatida e Maria Pronta acordou faceira e mais pronta que nunca. Mas não pra ele.
Assustado ele chamava: Maria! E nada.
Maria? Não era provocação.
Maria?!
Era Maria Pronta vocacionada pra alegria.
Pronta pra vida.
Pronta pra ser Maria.











26.06.08

TEREZINHA PEREIRA/ A bola da vez

                                                     A bola da vez (*)
                                              

                                                                                             Terezinha Pereira

        Tum...tum... tum... Sabem o que é dar a vida por um nada?
        Eram três desconhecidos à mesa de sinuca jogando a saideira, quando chegou o bêbado, velho conhecido do bar. “Quero entrar no jogo” foi logo dizendo e se apossando de um taco. Os que jogavam entenderam-se com o olhar. O chegado, sentindo-se afrontado, apoderou-se das bolas da mesa e jogou-as no escuro da noite. Palavra_ nenhum dos três disse uma.
        Tum...tum...tum... Três tiros secos foi o que se ouviu. Depois, viu-se um repuxo vermelho e o bêbado tremelicando no chão.
        O trio desapareceu nas trevas. Para sempre.

                                                                                         

21.06.08

MÁRCIO SIMEONE/FELICIDADES

 

Digo-te, dileto amigo: não conheço uma felicidade só. Elas existem em variedades de cores, tamanhos, formatos e sabores. Mesmo assim, são por vezes mutantes: nos aparecem tanto como uma longínqua estrela, cujo brilho demora alguns anos-luz para chegar aos nossos olhos quanto, de uma hora para outra, como um sol, para o qual não podemos olhar desprotegidos sob pena de ficarmos cegos, ou como algo que podemos agarrar com as mãos. Podem ser tão pequenas que não possamos enxergá-las a olho nu, mas também podem ser grandes o bastante para não podermos reconhecê-las, senão por partes. Nem toda felicidade é doce, nem toda felicidade é quente. Não as encomendamos sob medida e por isso não as calçamos como a uma luva. Jamais saberemos se são mesmo do nosso número e, por via das dúvidas, sempre desejaremos maiores. Não são exclusivas e conviverão muito bem umas com as outras, caso as deixemos por conta própria e não as tentemos aprisionar. Fazem graça e delas temos que rir: se as levarmos muito a sério, fogem como animais ariscos. Nunca sabemos como elas virão: as felicidades, tão volúveis, trocam de roupa, conforme a ocasião, mudam de cor, conforme a luz. Às vezes são ambíguas, dissimuladas. Gostam de brincar de esconder. Vão e voltam quando querem, sem aviso, e não adianta insistir; o que importa é sempre mantermos a porta aberta para que sejam todas muito bem-vindas.

17.06.08

WALMIR JOSÉ/ O destino dos anjos

                                                   O DESTINO DOS ANJOS

                                                           Valmir José Diniz

Talvez o beija flor não saiba
mas ele imita o vôo da razão,
ao ignorar as aparências
e só pairar onde houver abundância.

Talvez o vento não saiba
mas ele se faz como nossos pensamentos
que velejam inconstantes
em suas múltiplas direções.

O sol talvez não saiba
mas ele segue a trajetória da vida
que nasce frágil e vai ao cume
pra regredir lentamente... depois.

Talvez aquela nuvem não saiba
mas impedindo o florescer do sol
nada mais faz do que aquele destino
que não permite o alvorecer de um sonho.

Os pássaros talvez não saibam
que gorjeiam o sabor da vida
às vezes triste, outras não
se nos rigores do inverno ou alento do verão.

                               *>*>*>*>

Valmir José Diniz
Cadeira n° 10
Patrona: Cecília Meireles