Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

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Terra Blog

Arquivo de: Maio 2008, 03

03.05.08

O amor e a amizade sem fronteiras

Caros amigos, gostaria de transcrever abaixo o texto oficial de divulgação do livro infantil do escritor e ator pará-minense, José Roberto Pereira.  Uma iniciativa como esta não podia deixar de ser comentada. Abri um pequeno espaço para lançamento e divulgação na FAPAM. Abaixo segue o texto de publicidade com datas para quem quiser acompanhar.

Um grande abraço a todos, Fonte Boa.

Nada. Absolutamente nada, pode enfraquecer uma amizade verdadeira.


O novo livro do escritor e ator pará-minense, José Roberto Pereira, editado pela Mosaico Negócios Editoriais, Belo Horizonte, narra a história de uma Joaninha e uma Margarida que nascem no mesmo dia, no mesmo jardim. A partir de então, a convivência faz brotar o amor e a amizade de uma pela outra. Sentimentos estes que enchem as páginas do livro do que deveria ser o mundo em que vivemos: sem preconceito com as diferenças.
A amizade entre as duas cria situações que muito se assemelham à “nossa vida”, tornando-se mais intenso quando elas percebem que têm tempos de vida diferentes. A Joaninha acompanha o processo de envelhecimento da Margarida. Mas o livro está longe de uma narrativa triste, ao contrário, o autor surpreende o leitor ao narrar um desfecho aberto e inesperado; porém, inevitável.
Para a psicóloga e jornalista, Zanilda Gonçalves, que assina o texto de apresentação do livro “a amizade entre a Joaninha e a Margarida é o retrato do amor sem exigências. Amor que o tempo renova... aprofunda e faz crescer, a cada dia, a aceitação do outro na sua diferença. São vidas com destinos distintos. Em comum: uma amizade eterna”.
Quem assina a ilustração é a angolana, Beatriz Valdez, que trouxe lá da África Ocidental, lugar onde nasceu e viveu por muitos anos, toda a delicadeza dos traços e das cores para expressar a poesia e a sensibilidade aflorada no texto de José Roberto.
O livro “A Joaninha e a Margarida” chega às livrarias nesta segunda-feira.
Os Lançamentos em Pará de Minas acontecerão em vários lugares e sempre acompanhado de performance do autor/ator.

Dia 28 de abril:
• Às 13 h (Colégio Berlaar Sagrado Coração de Maria. Rua Dr. Higino, 03).
• Às 20 h (FAPAM–Faculdade de Pará de Minas. Rua Ricardo Marinho, 110).
Dia: 30 de Maio:
• Às 10 h e 20 min. (Colégio Técnico São Francisco de Assis).
Dia 06 de maio:
• Ás 20 h (Casa da Cultura. Praça Torquato de Almeida, s/n, centro).
Dia 10 de maio:
• Às 10 h (Brinquelê. Rua Benedito Valadares 476).

02.05.08

As graviolas

As graviolas


Déa Miranda

       Certa vez, uma família se preparava para passar alguns dias na casa de parentes no Rio de Janeiro. Antes, porém, passou em uma cidade do interior de Minas para levar a tia. Logo que ali chegaram, já começaram a ouvir falar sobre o pé de graviolas que havia no sítio deles. Ao ouvir essa palavra, até então estranha ao vocabulário das crianças, o menino perguntou:
       — Gravi... o quê?
       A tia falou:
       — Graviola... Você não conhece? Nunca ouviu falar em suco de graviola?!
       Parece que ninguém conhecia a tal fruta. Pouco depois, estavam no carro, numa estrada empoeirada dirigindo-se para o sítio. Lá chegando, viram uma árvore de uns 5 metros, com folhas largas. No meio delas, estavam as graviolas. Eram frutas de um verde intenso, alongadas, com casca coberta de falsos espinhos carnosos curtos e moles. A tia apanhou-as como se tocasse em pétalas de rosas, apesar do formato avantajado e rústico da fruta que pesa de um a quatro quilos. Acomodou-as em caixas de papelão e pegaram novamente a estrada.
       Na rodoviária, quando foram entrar no ônibus que os levaria à casa da outra tia, foi o maior problema. A tia não permitiu em hipótese nenhuma que as graviolas fossem no compartimento destinado às malas. Ela olhava espantada para o trocador do ônibus como se ele falasse o maior absurdo. Sem entender aquilo, ele perguntou onde ela pretendia levar aquela enorme caixa. Com toda veemência, ela respondeu:
       — Junto comigo! Imagine se colocam malas sobre a caixa de graviolas e elas amassam.
       Apesar de achar que aquelas frutas eram bastante resistentes, ninguém ousou manifestar aquela idéia. Uma vez dentro do ônibus, outro problema. Ela não admitia que as frutas fossem no bagageiro. Teriam que ficar o tempo todo debaixo de seus olhos. Parece que ela queria carregá-la ao colo como se fosse um bebê.
       Assim que o ônibus chegou à rodoviária, pediram um táxi. Quando o moço pegou a caixa de graviolas, a tia, toda preocupada, prevenia-o:
       — Pegue com jeito... são graviolas!
       O motorista disse:
       — Gra... o quê?
       — Graviola! Nunca tomou suco de graviolas?!
       O moço balançou a cabeça num gesto negativo e ela exclamou:
       — Não sabe o que está perdendo, moço...
       Neste exato momento, eis que surge um homem em disparada, esbarra na caixa e desaparece na esquina. A caixa caiu de uma só vez e desmanchou-se toda. Ao mesmo tempo, ouviam-se gritos de ‘pega-ladrão’, mas parece que a tia nem ouvia nada, ela só pensava nas graviolas, e gritava:
       — As graviolas! Elas vão amassar!
       Duas se haviam esmagado no chão no momento da queda. As outras duas rolaram pela rua íngreme. Nessa hora, veio um ônibus e passou bem em cima de uma delas. A tia saiu correndo atrás da que restara com tamanho desespero que as pessoas já nem se lembravam mais do ladrão. Um motorista soltou um palavrão. Foi uma grande confusão... soaram buzinas estridentes, outros gritavam:“Cuidado!” Uma mulher gorda falou: “De onde saiu essa maluca?!” O homem bem-vestido gritou: “Não tem medo de morrer, dona?” No momento em que ela conseguia alcançar a derradeira graviola, um carro freou bruscamente, quase atropelando-a. E para sua alegria... essa estava intacta! Com ela nas mãos, caminhou até o táxi. Os sobrinhos ainda estavam trêmulos com as cenas de suspense que presenciaram. O cunhado mal continha a sua irritação. A tia colocou-a no fundo do carro, ainda lamentando a perda das outras. Os sobrinhos tentavam consolá-la:
       — Tia, esta que sobrou vai dar muito suco. É muito grande!
       Assim que o táxi parou à porta da casa, a tia desceu, queixando-se de dores de cabeça. O motorista começou a descarregar as malas. Cada um pega uma. Finalmente em casa, a tia se lembra da graviola... procura daqui, procura de lá, tira uma mala, empurra uma sacola e nada! Onde está a graviola? Nem sinal dela... Nessa hora perceberam que ela tinha ido embora no táxi... Um pesado silêncio se fez. Um dos sobrinhos fala:
       — Vamos ver o lado bom disso? Pelo menos agora o motorista vai saber o que é suco graviola!






Para minha mãe, dona Genuína

Mãe,
Eu sempre achei gozo nisto: ver teu jeito de tratar o tempo
como se desdenhasses dele;
sem te tocares pelo assombro que ele causa a todos.
Sim, pra ti,
estardalhaço de quem não sabe envelhecer.
Olho teu rosto que não esconde rugas e as realça mais no sorriso escancarado.
São como as linhas de um caderno a sustentar boas palavras.
Elas percorrem a fronte, o canto dos olhos
e contam-me coisas que eu não li em nenhum livro.
Coisas cheias de um conhecimento singular
que faz teus olhos capazes de enxergar a necessidade alheia
e tuas mãos sempre prontas a ofertar.
Amar-te,
além de desejo natural,
é um grande prazer!
Como é bom, mãe,
descobrir-te menina e senhora,
de mãos manchadas e gargalhada sonora.
Não perco isso por nada!
Sou feliz quando te olho e te admiro.
És linda!
De uma beleza que não se fabrica,
sem retoques desnecessários.
És linda porque, além do teu olhar, do teu sorriso, das tuas rugas,
tens um jeito espontâneo de ser e de amar
e uma fé que me comove:
Genuína como tu!

Regina Maria