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2_ Histórias de pescadores
Terezinha Pereira
O homem queria parar de correr atrás de notícias. Fatigado, em um findar de ano, com bagagem leve de roupas e algumas garrafas do vinho preferido, partiu para uma ilha deserta. Varou vésperas e dias seguintes ao Natal na solidão. Nada de celular, computador, burburinhos. Apenas o vinho e muita chuva, sem ao menos ver o mar.
O chegar do Ano Novo, levou-o para a beira do mar. E embevecido ficou com o rodopiar das alvas roupas dos iniciados do candomblé. Foi daí que aprendeu a beber da cachaça dos pescadores.
A partir de então, caminhou por trilhas e trilhas na mata costeira, pé na areia, olho no vaivém do mar azul-infinito. Conheceu gentes, costumes e um sem conta de histórias. Terminadas as férias, achou por bem, desligar-se do trabalho. Sabia que, o que havia acumulado durante anos e anos de correria, apesar das folganças com mulheres mal amadas, noites mal dormidas e de olvidadas bebedeiras, permitir-lhe-ia desfrutar, por algum tempo, das preciosidades daquele lugar.
Agora, findou abril e já se passaram três anos. Ele não sabe se, como homem acostumado ao burburinho da redação do jornal e da vida buliçosa da cidade, conseguirá ficar ali por toda uma vida. Da pesca, aprendeu as manhas e obtém o bastante para o viver. A promessa, feita no primeiro passar de ano naquele lugar, começa a levar a efeito. Haveria de escrever uma dúzia de histórias, uma a cada mês. Sentiu que chegara a hora de pegar lápis e papel para as primeiras palavras.
Olha o mar, o céu, os homens a se desenredarem de tralhas e produtos da pesca e escreve o título de seu primeiro livro: “Histórias de gente da beira do mar”.........
(do livro de mini-contos: "Brevidades")

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02:26:47MÁRCIO MEIRELES / PADRE LIBÉRIO: Pobreza, humildade e fé

Em 2004, o acadêmico Márcio Mendonça Meireles publicou o livro “PADRE LIBÉRIO: pobreza, humildade e fé”. Segundo ele, seu livro foi escrito no correr de muitos anos e sua intenção não foi a de tecer grandes comentários aos milagres atribuídos à intercessão de Pe. Libério junto a Deus, mas sim focalizar o seu perfil e a sua personalidade. Diz também haver escrito grande parte do livro quando Pe. Libério vivia em Pará de Minas e que teve o privilégio de visitá-lo em sua residência por diversas vezes e dessa forma, pôde transcrever alguns fatos que estão em seu livro que lhe foram narrados pelo próprio Pe. Libério.
Márcio Meireles diz acreditar que, aos teólogos do Vaticano é que cabe a função de se pronunciarem a respeito da autenticidade ou não dos tantos milagres que uma grande parte da população da região de Pará de Minas, de Minas Gerais e de diversas partes do Brasil atribui ao santo sacerdote. Um ser humano piedoso generoso e simples, que viveu em Pará de Minas durante muitos anos, tendo conquistado a gratidão da comunidade devido às suas bênçãos e a modo de ser.
Pe. Libério nasceu em 30/06/1884, em Lagoa Santa e faleceu em 21 de dezembro de 1980, em Divinópolis, onde viveu os últimos anos de sua vida, após passar por diversas cidades. Seu corpo foi enterrado em Leandro Ferreira/MG, em lugar de destaque, numa capela construída atrás da igreja principal da cidade. De frente à igreja e à capela, fica o “Museu Pe. Libério”, onde são guardadas as lembranças materiais de sua passagem por este mundo, como trajes, chapéus, móveis, livros e outros objetos e também a “sala dos milagres”. Nessa sala, são expostos milhares de agradecimentos feitos por pessoas de toda a parte do Brasil em forma de ex-votos, cartas, bilhetes, fotografias, cópias de documentos e tudo mais que o ser humano imagina servir de símbolo de agradecimento por uma graça alcançada.
Infelizmente, a edição do livro de Márcio Meireles encontra-se esgotada e ele ainda não providenciou uma segunda edição, apesar dos muitos pedidos que recebe. Por essa razão, já com autorização de Márcio Meireles, brevemente publicarei neste blog da ALPM, alguns trechos de “PADRE LIBÉRIO: pobreza, humildade e fé”, principalmente com relação a passagens que se referem ao objetivo de Márcio Meireles, que foi o de focalizar perfil e personalidade do sacerdote que ainda hoje é tido como santo, pelas pessoas que com ele conviveram.
(Terezinha Pereira)
Acadêmico Márcio Meireles

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1_ A réplica
Ela subia as escadas do prédio quando encontrou a rival. Quem diria........ A dita, uma qualquer, saída do nada, usava roupas de marca, que lhe insinuavam o corpo modelado na academia, cabelos tintados de escuro e até lentes de contato, as quais mudavam seus olhos para verde. Na mão, apenas uma sombrinha. Se essa mulher ilusória estivesse tingida de preto, de azul ou de amarelo, ela a reconheceria entre milhares. Olhou-a fundo nos olhos esmeraldas-falsas e chamou-a de puta.
A outra, se para se ocultar ou se para agredir aquela que lhe imputava tão chulo atributivo, abriu a sombrinha em direção a seu rosto. O inimaginável era que a ponta da sombrinha pudesse fincar bem fundo no olho azul-celeste direito da ex de seu novo love e acabar fazendo vazar todo o seu sangue e lhe tirar a vida em poucos minutos, antes mesmo de ser socorrida.
Para a de olhos cor de esmeraldas-falsas........ bye, bye, carrão importado e cartões de crédito internacionais........ que na nova morada que passou a habitar, não lhe seriam de nenhuma serventia.
Terezinha Pereira
(da coletânea de mini-contos "Brevidades" ).jpg)

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