Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.
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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 27

27.02.08

Recado ao leitor: jornal ARCÁDIA, da ALPM


Caro leitor deste blog da ALPM, 

O jornal ARCÁDIA, em comemoração aos 10 anos da Academia de Letras de Pará de Minas, editado com 8 páginas, em dezembro passado, está a sua disposição para leitura através do link:

www.jornaldiariopm.com.br/arcadia.pdf (se quiser, copie e cole este link no seu navegador) 

Você tem acesso direto ao jornal, clicando no título “ARCÁDIA jornal”, que fica à direita da tela, abaixo do título “Links Favoritos”.

Nesta edição, você pode conhecer quem são os membros da ALPM e conhecer os trabalhos de todos eles. Também pode saber das atividades desenvolvidas pela ALPM no ano de 2007, as quais contaram com a parceria de empresas, da Câmara Municipal (com o apoio do presidente Francisco Júnior e demais vereadores), da Superintendência Regional de Ensino de Pará de Minas, da Secretaria Municipal de Educação, das escolas públicas e particulares de 5a. a 8a. séries, do Sindicato Rural de Pará de Minas.

Na oportunidade, aproveitamos para agradecer a todos que se mostraram solidários com a Academia, justamente por terem em mente que “academia é cultura” , uma vez que nossa agremiação literária está trabalhando para o cultivo da língua portuguesa e incentivando as artes e a educação. Pedindo desculpas antecipadamente, se omitirmos alguns nomes, dirigimos nossos agradecimentos:

_ À CLIKNET _a internet fácil como um clik , que patrocinou a premiação (5 computadores), a publicidade e todos os eventos relacionados ao “I Concurso de Redação aluno nota dez”, o qual envolveu quase todas as escolas públicas e particulares da cidade, do Ensino Fundamental, de 5a. a 8a. séries (Rodrigo e Idelcina Melgaço Alves, vocês demonstram verdadeira preocupação com a cultura e educação, além da inclusão digital dos jovens da cidade). 
_ Ao presidente da Academia Mineira de Letras, Dr. Murilo Badaró, que veio a cidade para pronunciar uma magnífica palestra “O papel das academias de letras na formação da nacionalidade”, extensivo ao público que esteve presente, nesse momento importante para a literatura de nossa cidade. 
_ À toda imprensa de Pará de Minas, que sempre está presente e divulga os eventos realizados pela Academia: Rádio Santa Cruz, Stilo FM, Espacial FM, JCnotícias-jornal virtual, TV Integração, Gazeta Pará-minense, jornal Diário, revista ESTILO, Total FM.
_Um agradecimento muito especial ao “jornal Diário”, que oferece espaço aos acadêmicos e a outros escritores da cidade, com publicação diária de colunas com textos literários e diversos artigos e, além disso, contribui na edição do nosso jornal Arcádia, dos “Cadernos Literários” (já foram editados 13 cadernos) e de alguns folhetos e divulgações.
_ À ASCIPAM – Associação Comercial e Industrial de Pará de Minas, que concedeu homenagem especial à ALPM durante o evento “Empresário do Ano” de 2007.
_ Ao Banco do Brasil, que promoveu um café literário em sua agência, com a presença de acadêmicos, outros escritores, imprensa e diversos convidados para a inauguração de uma exposição de livros e outros trabalhos da ALPM, que permaneceu aberta ao público por mais de uma semana.
_Ao Dep. Federal Eduardo Barbosa e à Fundação Gênesis, que puderam, através do MEC, angariar recursos para a publicação de livros de dez autores da cidade, entre esses, livros de autoria de cinco acadêmicos.
_Ao Dep. Estadual Antônio Júlio que sugeriu ao vereador Marcílio a marcação de uma audiência pública para a discussão da destinação do prédio do Centro Literário Pedro Nestor, tombado pelo patrimônio Público Municipal desde 2002 e em estado precário de conservação. Essa audiência contou com a presença dos representantes dos antigos associados do Centro Literário, do Dep. Antônio Júlio, de  diversas personalidades políticas, de pessoas ligadas à arte e educação, dos membros da ALPM e culminou com a promessa, por escrito, dos senhores Prefeito Zezé Porfírio e Secretário de Cultura, Célio Duarte, de que o prédio do Centro Literário seria restaurado até meados do ano de 2008 e que seria todo destinado às artes, cultura, Arquivo Público (para guarda e facilitação de pesquisas de documentos históricos) e que no segundo andar seria instalada a sede de nossa ALPM.
_ Ao prefeito Zezé Porfírio e ao Secretário Célio Duarte que, no final de 2007, apresentaram à ALPM o projeto da restauração do Centro Literário, o qual foi aprovado, com louvor, pelos representes da academia.Os trabalhos de restauração do prédio foram iniciados neste fevereiro de 2008, para felicidade geral dos acadêmicos e mais ainda da comunidade de Pará de Minas, porque a partir de então, vai contar com mais um espaço de cultura, pesquisas, estudos e lazer para pessoas de todas as idades e ainda formará um público jovem que, em pouco tempo, terá prazer de freqüentar espaços culturais como uma outra opção de lazer.
_ À CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, pelo apoio cultural em favor da publicação do jornal ARCÁDIA que saiu em dezembro passado em papel e que agora pode ser lido no formato virtual.
(Terezinha Pereira_ 27/02/08)

26.02.08

Terezinha Pereira/ O SUMIÇO DO ANEL

 

                                                          

     A moça é uma pesquisadora. Investiga, com cuidado e presteza, documentos do passado. Procura reconstruir a história da terra e o viver de personagens que não mais habitam este mundo há tempos. Em companhia de outros estudiosos, desvenda coisas relacionadas às pessoas que viveram até mesmo há trezentos anos. Ou menos. Ou mais.Quando pára para pensar, chega ela a conjeturar se está lidando com fantasmas, com o sobrenatural, com gente de outro mundo.
     E, não é que, dia desses, ela passou por intensa perturbação?
     Como de costume, chegara em casa ao entardecer, depois de mais um dia absorta, meio a documentos e objetos de interesse artístico, histórico ou técnico, ainda refletindo sobre quem, na verdade, teria tocado naqueles objetos ou sobre quem seria o avô do tio do fulano de tal, cunhado de sicrano......... Logo, dirigiu-se a seu quarto, para tomar um bom banho e sentir-se de novo com o cheiro do presente.
“     Mas, onde está o meu anel? Tenho certeza de que saí de casa com o anel, que só sai de meu dedo na hora do banho e volta logo após.... Isso, há mais de quinze anos!”
Era um anel de prata, uma jóia vistosa, de peso, vinda do Peru. Objeto de grande estimação, sabe-se lá se lhe ofertado por algum amor com quem vivera uma grande história em algum tempo passado, porém desta sua vida neste planeta.
          Revirou a casa, mesmo tendo certeza de que o anel não poderia ter sido largado em algum lugar da casa, ou mesmo saído de seu dedo, assim, sem mais nem menos. Na manhã seguinte, transtornada, procurou o anel por todos os cantos do museu onde trabalha. Nada! Ninguém sabia, ninguém vira a jóia. Porém, todos se lembraram que ela estava com o anel, pelo menos, até o momento do lanche da tarde, quando estiveram juntos. Chegaram até mesmo a lhe repetir a pergunta sobre a história daquele anel. De propósito. Para ouvirem a resposta evasiva, de sempre.........“ah!”. Para verem o fulgor instantâneo que surgia no seu olhar.
      Passaram-se sete, dez, doze dias e nenhum sinal do anel. Ela até já havia se apegado a todos os santos advogados de coisas perdidas e nada do anel aparecer. A pesquisadora até mesmo passou a pensar em gentes do além-mundo.
     Nesse meio tempo, o museu havia recebido em doação, alguns objetos salvos do legado de uma senhora de 94 anos, recém-falecida. E nesse dia, o décimo terceiro, após o sumiço do anel, a moça já havia vasculhado, por repetidas vezes, todos os cantos da casa e do lugar de seu trabalho. Então, foi para a sua sala de trabalho, pois havia anotado em sua agenda que, pelas dez da manhã, deveria receber alguns visitantes que queriam ver os novos antigos tesouros chegados ao museu: um bandolim do início do século XX, diversas partituras musicais de autores desconhecidos e também de autoria da dona do legado, livros religiosos, cartas e a máquina de costura, uma preciosidade, movida à mão, capaz de fazer duzentos pontos por minuto e que abolia o trabalho penoso de se emendar os panos, ponto por ponto, para fazer as vestes de todos os povos daquele tempo.
     O modelo dessa máquina de costura é coisa patenteada na metade de século XIX, movida pela força de uma das mãos, quase que somente feminina, durante uma centena de anos. Passou a ser menos usada após a invenção do pedal, que lhe deu mais agilidade para dar pontos, com o uso do movimento dos pés. Daí, foi pouco o tempo gasto para o aperfeiçoamento de rolamentos e engrenagens movidos à eletricidade, que permitiu a construção de uma máquina de costura veloz, capaz de fazer mais de sete mil pontos por minuto.
     O leitor já deve estar se perguntando o que tem a ver a invenção da máquina de costura com o sumiço do anel. Na verdade, com o descaminho do anel, de maneira misteriosa, sem que ela própria o houvesse retirado do dedo, a pesquisadora passara a perder horas de seu sono. Que enigma era aquele do sumiço da sua jóia de prata peruana, de grande estima.
     Após mostrar aos visitantes as partituras de músicas sacras, com ou sem a assinatura de defunta, depois de mostrar os livros de orações, o bandolim, que acabou encantando um deles, que é violonista, a moça chamou-os para a sala onde se encontrava a máquina de costura, que estava ainda guardadinha em cima de uma estante, dentro de um saco de plástico, à espera da catalogação, para então ficar exposta junto a outros objetos da antiguidad, que integram o patrimônio daquele lugar. Nas pontas dos pés, a pesquisadora puxou o saco e pediu ao visitante violonista para ajudá-la, que o objeto não era leve como as modernidades dos dias de hoje, feitas de plástico ou de qualquer outro material que lhe acaba dando uma qualidade inferior.
     Ao puxar a antiga máquina de costura que estava no alto de uma estante, ouviu-se um ruído de um objeto pesado caindo no chão. Todos pensaram que fosse uma peça da máquina que se desprendera e ficaram procurando-a no chão. Até que ouviram um grito da pesquisadora.
     Não era nenhuma peça de máquina de costura que havia caído. Era um anel de prata peruana, o mesmo que havia desaparecido há treze dias. Todas as pessoas que estavam na sala ficaram pálidas. Como poderia ter acontecido tal coisa? Nem os funcionários, nem os visitantes, nem a moça conseguiram entender. 
     Sei que, até ontem, quando conversamos sobre o assunto, ela ainda estava sem norte. Haveria alguma coisa relacionada aos antepassados, dos quais ela vivia revirando a vida?