Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.
<  Fevereiro 2008  >
S T Q Q S S D
        1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29    
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 17

17.02.08

HOMENAGEM PÓSTUMA: acadêmico Antônio Almada

Acontece... E a vida continua...


O nosso querido acadêmico Antônio Almada nasceu em Piumhi-MG em 1931, mas adotou Pará de Minas para viver. Por aqui, casou-se e criou toda a família. Após aposentar-se, passou a escrever e desde então, publicou seis livros.
Começou filosofando, discutindo a existência do mundo e de seus moradores em “Reflexões de um homem comum”, editado em 1992. Em “Na escola da vida”, de 1997, fala de sua vida, suas perdas e ganhos. Volta a discutir sobre a filosofia e aciona a psicologia, com a proposta de um programa de edificar um novo homem em “Um novo caminho- moldando a criança”, em 1998. Em 1999 , em “Garimpos de Sabedoria” trata o ser humano como um ser “que aspira a transcender a realidade ilusória do nosso cotidiano”. Em 2002, estreou um novo gênero: “Crônicas_ Em reminiscências , O meu Ser, Viver e Conviver”, um livro memorialista, apresentado pelas sábias palavras do professor e escritor Pedro Moreira que, entre outras coisas, diz: “Almada renova em “Crônicas” suas reconhecidas virtudes, entre elas a fluência do estilo, por sinal bem adaptado à abordagem dos temas. Uma grata surpresa o autor reserva para seus admiradores: o ofício de poeta. Entremeando poemas e textos em prosa, ele plenifica sua vocação literária e deixa a descoberto uma inegável sensibilidade artística”.
Na última vez que compareceu à uma reunião, Almada ofereceu a todos os seus colegas da “Academia de Letras de Pará de Minas”, um presente precioso: “Acontece... E a vida continua...”, seu mais recente livro, editado em 2004, que ele inicia dizendo: “Crer ou não crer já não me importa. Não me importa se em meus textos eu entrar em contradição. Aderir ao misticismo me faz bem, amacia o caminho. Gosto de experimentar... Isso me importa...” No final de um preâmbulo, ele afirma: pensei muito e escrevi o que segue, em forma de um paradoxal dialogo comigo mesmo”. Nessa obra, dialogando consigo mesmo, Almada interpela o leitor, fá-lo refletir. Traz para seu texto pensamentos de filósofos de Chardin, Weber, Chopra, Jung, Campbell. E mais ainda, dialoga com esses autores, transpondo seus pensamentos para a realidade do mundo de hoje, através de crônicas, reflexões e poemas. Admite haver conseguido, lendo, pesquisando e buscando intensamente, a sabedoria e a paz de espírito, coisas que julgava serem melhores do que tudo: não culpar ninguém, nem sentir-se culpado pelo seu modo de ser.
Como quem muito medita, acaba antecipando fatos futuros_ não diria, como quem prevê, como se fosse um profeta, mas como quem tem saber suficiente para presumir efeitos de atos ou de fatos, que se repetem através da História_ Almada, em novembro de 2002, escreveu a crônica “Só tem chovido Lula”, que integra seu novo livro, de onde recorto alguns de seus ditos: .... “Em vez de água, só tem chovido Lula, a cinco dias das eleições do segundo turno.../ ... Como falei em Lula, devo explicar que vejo os políticos com preconceito, como resultado de quase uma vida inteira acompanhar a falta de seriedade no exercícios dos cargos..../ ... Não confio no PT formado de facções de descontentes arrebanhados por causas justas, mas iludidos com ideologias, que seduzem também os alienados desafinados, do tipo que não se esforça nunca porque tem direito a tudo. Não confio no possível governo de Lula, porque, além dos problemas previstos ou conhecidos, terá que enfrentar as pressões das facções extremistas do seu partido.../ ... mas, se a maioria dos eleitores espera um milagre de Lula, eu também vou esperar. Caso seja eleito, eu estarei torcendo para que seu governo tenha sucesso...”
Como disse nessa crônica, Almada não confiava no PT, como muitos dos eleitores de Lula. Mas, pessoas instruídas e inteligentes optaram por Lula, segundo ele, por virem enfrentando dificuldades econômico-financeiras crescentes no dia-a-dia Logo, não se podia esperar que aprovassem uma continuidade governamental, mesmo que, esta fosse a melhor opção, no entender dele. Daí, a esperança na renovação acabou sendo maior do que a falta de crença no PT.
Quem se propuser a ler os livros de Antônio Almada, vai se encontrar diante perguntas que fazia a si mesmo durante a vida. (Dizia ele que, durante a vida, encontrava muitas indagações e pouco alívio às suas inquietações.) Quem ler seu livro, vai poder fazer a si mesmo novas indagações, como por exemplo, a respeito da idéia de Almada a sobre a eleição de Lula. E se tivesse sido diferente, se as pessoas tivessem votado pela continuidade governamental, como estaria o Brasil hoje? Será que ao invés do “Fome Zero” teriam criado o “Desemprego Zero” ? Será que não teria surgido um outro preterido “Roberto Jeferson”, disposto a contar sobre “valores não contabilizados”? Disso, ninguém está certo.
Mas. “Onde está a certeza?” é o título de uma das crônicas de seu livro “Acontece... E a vida continua...” Repito sua pergunta: Onde está a certeza........onde está? É o que queremos saber? Em toda a sua obra, Almada situa o leitor diante de perguntas que, muitas vezes, têm como respostas uma outra pergunta........ É ler para crer. Ou não. Ele mesmo diz que crer ou não crer já não lhe importa. Importaria ao leitor?
Antônio Almada adoeceu gravemente, poucos dias após participar daquela reunião em que levou de presente, um exemplar de seu derradeiro livro aos colegas de Academia. Passou por algumas cirurgias e um longo período em coma, num hospital, em Belo Horizonte. Faleceu em 30/04/2006 e deixou saudades.
Quem sabe ele encontre neste outro plano que passou a habitar, mais respostas do que de perguntas que tanto o inquietavam?

                                                *********

Antônio Almada Lopes era médico veterinário. Formou-se em Belo Horizonte/MG, em 1956. Em 1987, concluiu o mestrado em Medicina Veterinária. Foi professor na CEDAF/Florestal durante 29 anos.

(Terezinha Pereira)