Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008, 13

13.02.08

ÔIO GRANDE... ÔIO PIQUÊNO...

Olá amigos, gostaria muito de estar contribuindo com um de meus poemas. Mas estou preparando a edição de um livro com nossos versos, aguardem! Até lá, olha que delícia e simplicidade destes versos.... um abraço a todos! Fonte Boa.

 

Ôio grande… ôio piquêno…
Tô só vendo
Quá dos dôis vai me prendê!
Um é como a lua cheia,
Que crarêia…
Mas o ôtro é bão como o quê!

 

               Ôio Grande, ocê percúra,
               Máia e fúra
               O cérne de um coração…
               Mas ocê, ôio piquêno,
               Tem vineno… 
               É pió que a tentação!

 

Ôio grande, ocê paréce
Que inté créce
Que nem frô de girassó…
Mas o ôio piquininínho
– êta, oínho! –
– ôio de cobra cipó!

 

               Tô doente, amalucando,
               E pensando
               Que ôio que vô iscoiê… 
                Ai, minha Nossa Sinhóra!
                E agora
                O que é que eu pósso fazê?

 

Mió é largá mão disso!
É fitiço
Que os dois quérem me ponhá…
Ôio grande, – ôio de bóde! –
Ocê póde
Me oiá, inté se invesgá!

 

               Ôio miudinho de gato 
               Lá do mato,
               não diánta ocê oiá pra mim!
               Ói, oínho, ocê me pága… 
               Bóto praga
               Pr’ocê ficá grande, assim!

 

O ôio grandão me judía
Tudo os dia
Quando me encontra na instrada…
O miudinho me piníca,
Despôis fica
Duêndo que nem facáda!

 

               Si Deus não me castigásse,
               E gostásse 
               De eu ficá mesmo côs dôis…
               Tambem tô muito assanhádo! 
               É pecádo…
               Eu vô prô inferno, despôis!

 

Quá, ôio grande, ocê é fêio…
Eu tô cheio!
Vá oiá pra sua avó!
E ocê, ovinho de ôio,
– é caôio! –
dêxe eu quiéto que mió!

 

               Mas cumé que eu vô ficá
               Sem oiá
               Quando os dois ôio me vê?!
               Tô pirdido, Santa Crúis!
               Bão Jisúis!
               No que é que fui me metê?!

 

Mió mesmo é querê bem
Como quem
Não tá com muita vontáde…
Sêja oínho, sêja oião,
Tudo é bão!
Não se iscóie a qualidade!…

 

(Poema extraído do livro “Rosário de Capiá - poemas caboclos” de Nhô Bento (José Bento de Oliveira) 1a. Edição, São Paulo: Graphicars F. Lanzara, 1946, pp.26-28)