Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.

Academia de Letras de Pará de Minas

Fundada em 20 de Setembro de 1997 com o objetivo de ser uma referência de valor para as novas gerações, contribuindo com a Arte, com a Cultura e com a Educação da Sociedade de Pará de Minas.
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Terra Blog

Arquivo de: Fevereiro 2008

28.02.08

Adélia Salles/ PARÁ DE MINAS, PASSADO, PRESENTE E

     Nasci em Belo Horizonte, apaixonei-me por Pará de Minas ainda no início da vida, pois aqui moravam meus “maiores”: avô, Pedro Nestor de Salles e Silva; bisavó, nossa matriarca, Maria Adélia dos Santos Drummond, Vovó Déia, que criou seus cinco netos, órfãos desde tenra idade: tios Horácio (que faleceu antes do meu nascimento), Randolfo, Murilo e Anita. O caçula, meu pai Pedro Salles, foi estudar em Belo Horizonte e não mais retornou ao Pará para morar, apenas em visitas esporádicas. Alegava que, com um irmão e um primo médicos, não haveria lugar para ele clinicar em uma cidade tão pequena, como era esta na década de 20 do século passado.
     Acostumada a gozar férias no casarão de meu avô, na Rua Benedito Valadares, 15(onde existe agora o Ed. Pedro Nestor), nunca deixei de considerar o Pará de Minas um pedaço do céu. Casa alegre, sempre cheia de visitas de parentes e amigos, mesa farta, frutas no quintal, carinho de avós e tios, não poderia ser de outra forma a origem do meu amor a esta cidade.
     Assim, depois de aposentada, decidi mudar-me para cá, deixando para trás todo um passado na minha cidade natal, Belo Horizonte. Enquanto meus pais viveram, ali estive à disposição deles, mas agora que já partiram, nada me impediu de realizar aqui o sonho de permanecer e ajudar um pouco a cidade e seu povo, que considero o melhor de todos os que conheço. Sei que é impossível encontrar uma coletividade humana tão solidária e tão bondosa quanto a de Pará de Minas.
     Assim que cheguei, já tendo imaginado o que fazer, instalei nos fundos de minha casa uma biblioteca infantil para atender às crianças da vizinhança. Lembrando-me do incentivo que sempre recebi do meu pai para que lesse e aumentasse o cabedal de conhecimentos que uma pessoa pode possuir ao longo da existência Então decidi que meu programa de vida seria fazer com que as crianças daqui tivessem o gosto pela leitura. A partir desta meta, sei que aquelas que vencerem esta barreira, estarão prontas a enfrentar as vicissitudes da vida e os obstáculos que se lhes forem apresentados. 
     E para o futuro, nosso principal programa de curto prazo será aguardar a concretização da reforma do Centro Literário Pedro Nestor, em cujo segundo andar deverá ser instalada a sede da Academia de Letras de Pará de Minas, onde deverá existir um Departamento Infantil e um Departamento Juvenil, para que os jovens desta cidade freqüentem, não para festas como no passado, mas para se prepararem para ler, ler muito, escrever, publicar e, quem sabe, tornarem-se escritores de grande competência. Para isto, a Academia pretende dar-lhes todo o apoio necessário, pois nosso objetivo é transformar Pará de Minas em um pólo de cultura desta região do Estado.

27.02.08

Recado ao leitor: jornal ARCÁDIA, da ALPM


Caro leitor deste blog da ALPM, 

O jornal ARCÁDIA, em comemoração aos 10 anos da Academia de Letras de Pará de Minas, editado com 8 páginas, em dezembro passado, está a sua disposição para leitura através do link:

www.jornaldiariopm.com.br/arcadia.pdf (se quiser, copie e cole este link no seu navegador) 

Você tem acesso direto ao jornal, clicando no título “ARCÁDIA jornal”, que fica à direita da tela, abaixo do título “Links Favoritos”.

Nesta edição, você pode conhecer quem são os membros da ALPM e conhecer os trabalhos de todos eles. Também pode saber das atividades desenvolvidas pela ALPM no ano de 2007, as quais contaram com a parceria de empresas, da Câmara Municipal (com o apoio do presidente Francisco Júnior e demais vereadores), da Superintendência Regional de Ensino de Pará de Minas, da Secretaria Municipal de Educação, das escolas públicas e particulares de 5a. a 8a. séries, do Sindicato Rural de Pará de Minas.

Na oportunidade, aproveitamos para agradecer a todos que se mostraram solidários com a Academia, justamente por terem em mente que “academia é cultura” , uma vez que nossa agremiação literária está trabalhando para o cultivo da língua portuguesa e incentivando as artes e a educação. Pedindo desculpas antecipadamente, se omitirmos alguns nomes, dirigimos nossos agradecimentos:

_ À CLIKNET _a internet fácil como um clik , que patrocinou a premiação (5 computadores), a publicidade e todos os eventos relacionados ao “I Concurso de Redação aluno nota dez”, o qual envolveu quase todas as escolas públicas e particulares da cidade, do Ensino Fundamental, de 5a. a 8a. séries (Rodrigo e Idelcina Melgaço Alves, vocês demonstram verdadeira preocupação com a cultura e educação, além da inclusão digital dos jovens da cidade). 
_ Ao presidente da Academia Mineira de Letras, Dr. Murilo Badaró, que veio a cidade para pronunciar uma magnífica palestra “O papel das academias de letras na formação da nacionalidade”, extensivo ao público que esteve presente, nesse momento importante para a literatura de nossa cidade. 
_ À toda imprensa de Pará de Minas, que sempre está presente e divulga os eventos realizados pela Academia: Rádio Santa Cruz, Stilo FM, Espacial FM, JCnotícias-jornal virtual, TV Integração, Gazeta Pará-minense, jornal Diário, revista ESTILO, Total FM.
_Um agradecimento muito especial ao “jornal Diário”, que oferece espaço aos acadêmicos e a outros escritores da cidade, com publicação diária de colunas com textos literários e diversos artigos e, além disso, contribui na edição do nosso jornal Arcádia, dos “Cadernos Literários” (já foram editados 13 cadernos) e de alguns folhetos e divulgações.
_ À ASCIPAM – Associação Comercial e Industrial de Pará de Minas, que concedeu homenagem especial à ALPM durante o evento “Empresário do Ano” de 2007.
_ Ao Banco do Brasil, que promoveu um café literário em sua agência, com a presença de acadêmicos, outros escritores, imprensa e diversos convidados para a inauguração de uma exposição de livros e outros trabalhos da ALPM, que permaneceu aberta ao público por mais de uma semana.
_Ao Dep. Federal Eduardo Barbosa e à Fundação Gênesis, que puderam, através do MEC, angariar recursos para a publicação de livros de dez autores da cidade, entre esses, livros de autoria de cinco acadêmicos.
_Ao Dep. Estadual Antônio Júlio que sugeriu ao vereador Marcílio a marcação de uma audiência pública para a discussão da destinação do prédio do Centro Literário Pedro Nestor, tombado pelo patrimônio Público Municipal desde 2002 e em estado precário de conservação. Essa audiência contou com a presença dos representantes dos antigos associados do Centro Literário, do Dep. Antônio Júlio, de  diversas personalidades políticas, de pessoas ligadas à arte e educação, dos membros da ALPM e culminou com a promessa, por escrito, dos senhores Prefeito Zezé Porfírio e Secretário de Cultura, Célio Duarte, de que o prédio do Centro Literário seria restaurado até meados do ano de 2008 e que seria todo destinado às artes, cultura, Arquivo Público (para guarda e facilitação de pesquisas de documentos históricos) e que no segundo andar seria instalada a sede de nossa ALPM.
_ Ao prefeito Zezé Porfírio e ao Secretário Célio Duarte que, no final de 2007, apresentaram à ALPM o projeto da restauração do Centro Literário, o qual foi aprovado, com louvor, pelos representes da academia.Os trabalhos de restauração do prédio foram iniciados neste fevereiro de 2008, para felicidade geral dos acadêmicos e mais ainda da comunidade de Pará de Minas, porque a partir de então, vai contar com mais um espaço de cultura, pesquisas, estudos e lazer para pessoas de todas as idades e ainda formará um público jovem que, em pouco tempo, terá prazer de freqüentar espaços culturais como uma outra opção de lazer.
_ À CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, pelo apoio cultural em favor da publicação do jornal ARCÁDIA que saiu em dezembro passado em papel e que agora pode ser lido no formato virtual.
(Terezinha Pereira_ 27/02/08)

26.02.08

Terezinha Pereira/ O SUMIÇO DO ANEL

 

                                                          

     A moça é uma pesquisadora. Investiga, com cuidado e presteza, documentos do passado. Procura reconstruir a história da terra e o viver de personagens que não mais habitam este mundo há tempos. Em companhia de outros estudiosos, desvenda coisas relacionadas às pessoas que viveram até mesmo há trezentos anos. Ou menos. Ou mais.Quando pára para pensar, chega ela a conjeturar se está lidando com fantasmas, com o sobrenatural, com gente de outro mundo.
     E, não é que, dia desses, ela passou por intensa perturbação?
     Como de costume, chegara em casa ao entardecer, depois de mais um dia absorta, meio a documentos e objetos de interesse artístico, histórico ou técnico, ainda refletindo sobre quem, na verdade, teria tocado naqueles objetos ou sobre quem seria o avô do tio do fulano de tal, cunhado de sicrano......... Logo, dirigiu-se a seu quarto, para tomar um bom banho e sentir-se de novo com o cheiro do presente.
“     Mas, onde está o meu anel? Tenho certeza de que saí de casa com o anel, que só sai de meu dedo na hora do banho e volta logo após.... Isso, há mais de quinze anos!”
Era um anel de prata, uma jóia vistosa, de peso, vinda do Peru. Objeto de grande estimação, sabe-se lá se lhe ofertado por algum amor com quem vivera uma grande história em algum tempo passado, porém desta sua vida neste planeta.
          Revirou a casa, mesmo tendo certeza de que o anel não poderia ter sido largado em algum lugar da casa, ou mesmo saído de seu dedo, assim, sem mais nem menos. Na manhã seguinte, transtornada, procurou o anel por todos os cantos do museu onde trabalha. Nada! Ninguém sabia, ninguém vira a jóia. Porém, todos se lembraram que ela estava com o anel, pelo menos, até o momento do lanche da tarde, quando estiveram juntos. Chegaram até mesmo a lhe repetir a pergunta sobre a história daquele anel. De propósito. Para ouvirem a resposta evasiva, de sempre.........“ah!”. Para verem o fulgor instantâneo que surgia no seu olhar.
      Passaram-se sete, dez, doze dias e nenhum sinal do anel. Ela até já havia se apegado a todos os santos advogados de coisas perdidas e nada do anel aparecer. A pesquisadora até mesmo passou a pensar em gentes do além-mundo.
     Nesse meio tempo, o museu havia recebido em doação, alguns objetos salvos do legado de uma senhora de 94 anos, recém-falecida. E nesse dia, o décimo terceiro, após o sumiço do anel, a moça já havia vasculhado, por repetidas vezes, todos os cantos da casa e do lugar de seu trabalho. Então, foi para a sua sala de trabalho, pois havia anotado em sua agenda que, pelas dez da manhã, deveria receber alguns visitantes que queriam ver os novos antigos tesouros chegados ao museu: um bandolim do início do século XX, diversas partituras musicais de autores desconhecidos e também de autoria da dona do legado, livros religiosos, cartas e a máquina de costura, uma preciosidade, movida à mão, capaz de fazer duzentos pontos por minuto e que abolia o trabalho penoso de se emendar os panos, ponto por ponto, para fazer as vestes de todos os povos daquele tempo.
     O modelo dessa máquina de costura é coisa patenteada na metade de século XIX, movida pela força de uma das mãos, quase que somente feminina, durante uma centena de anos. Passou a ser menos usada após a invenção do pedal, que lhe deu mais agilidade para dar pontos, com o uso do movimento dos pés. Daí, foi pouco o tempo gasto para o aperfeiçoamento de rolamentos e engrenagens movidos à eletricidade, que permitiu a construção de uma máquina de costura veloz, capaz de fazer mais de sete mil pontos por minuto.
     O leitor já deve estar se perguntando o que tem a ver a invenção da máquina de costura com o sumiço do anel. Na verdade, com o descaminho do anel, de maneira misteriosa, sem que ela própria o houvesse retirado do dedo, a pesquisadora passara a perder horas de seu sono. Que enigma era aquele do sumiço da sua jóia de prata peruana, de grande estima.
     Após mostrar aos visitantes as partituras de músicas sacras, com ou sem a assinatura de defunta, depois de mostrar os livros de orações, o bandolim, que acabou encantando um deles, que é violonista, a moça chamou-os para a sala onde se encontrava a máquina de costura, que estava ainda guardadinha em cima de uma estante, dentro de um saco de plástico, à espera da catalogação, para então ficar exposta junto a outros objetos da antiguidad, que integram o patrimônio daquele lugar. Nas pontas dos pés, a pesquisadora puxou o saco e pediu ao visitante violonista para ajudá-la, que o objeto não era leve como as modernidades dos dias de hoje, feitas de plástico ou de qualquer outro material que lhe acaba dando uma qualidade inferior.
     Ao puxar a antiga máquina de costura que estava no alto de uma estante, ouviu-se um ruído de um objeto pesado caindo no chão. Todos pensaram que fosse uma peça da máquina que se desprendera e ficaram procurando-a no chão. Até que ouviram um grito da pesquisadora.
     Não era nenhuma peça de máquina de costura que havia caído. Era um anel de prata peruana, o mesmo que havia desaparecido há treze dias. Todas as pessoas que estavam na sala ficaram pálidas. Como poderia ter acontecido tal coisa? Nem os funcionários, nem os visitantes, nem a moça conseguiram entender. 
     Sei que, até ontem, quando conversamos sobre o assunto, ela ainda estava sem norte. Haveria alguma coisa relacionada aos antepassados, dos quais ela vivia revirando a vida?

25.02.08

Terezinha Pereira/ ACADEMIA É CULTURA


     Algumas embarcações vieram lá de Portugal e chegaram ao Brasil. Por engano. Dizem. Haviam partido de Portugal em direção às Índias, em busca de iguarias. Junto com a tripulação e marinheiros veio um escrivão de nome Pero Vaz de Caminha. Para registrar, por escrito, os  feitos  da  viagem.  Dizem.  Viagem  marítima, naquela época, era experiência perigosa, arriscada, com incertas decorrências,acontecimentos imprevistos, surpreendentes. Como o achamento dessa grande terra, nunca antes vista. Também dizem.
      Haviam de contar a Dom Manoel, rei de Portugal. E no dia primeiro de maio de 1500, uma semana após atracarem as naves na costa deste hoje nosso Brasil, o escriba Pero Vaz de Caminha pegou da pena e do papel da época e escreveu uma carta com palavras catadas entre as melhores, dizendo logo no início que “para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.” Falou das gentes que encontraram por aqui, das águas, da vastidão de terra e das águas. Essa carta acabou se tornando o primeiro documento da história e, na opinião de muitos, o primeiro texto da literatura feita no Brasil. Se muitos não consideram a carta de Caminha como um documento literário, não importa. Como um bom narrador, o escrivão Caminha começou dizendo que nada colocaria no papel para embelezar ou tornar mais feio o caso que estava narrando ao rei, que escreveria o que havia visto e lhe parecera. O que não deixa de ser marca de texto que tende para literatura.
     Foi mais ou menos assim que o Dr. Murilo Badaró, presidente da Academia Mineira de Letras, começou a falar da história de literatura no Brasil. Se atendeu, com tanta gentileza, a um convite de Adélia Salles, presidente da Academia de Letras de Pará de Minas, para falar a respeito do “papel das academias de letras na formação da nacionalidade”, haveria ele de falar a respeito de como a literatura começou a se formar na nossa nação, não é mesmo? Perdeu quem não esteve lá na Câmara Municipal na tarde de sexta, dia 11 de maio. Deixou de assistir a uma grande aula de história da literatura, que já comecei a contar como sucedeu e de qual vou contar mais um pouco.
     A nação brasileira foi se constituindo num certo alvoroço, o descobridor tinha lá seus desejos, seus ímpetos, suas crenças. Junto com os que queriam riquezas, vieram os que ansiavam por outros valores, os que queriam “cuidar” daqueles seres primitivos, sem roupa, de corpos pintados, de rostos furados, cheios de argolas ou outros ornamentos que foram citados na carta de Caminha. Padre Antônio Vieira foi dos que vieram depois. Por estas bandas, escreveu seus “Sermões”, com palavras escolhidas, justamente para aformosear seu discurso e para evidenciar as importâncias da época. São magníficos discursos, tidos ainda hoje, como os melhores textos em prosa da literatura brasileira. De acordo com o nosso palestrante, tais Sermões devem ser lidos e relidos por todo aquele que pretende um dia saber escrever da boa literatura.
     Vamos caminhar mais um pouco na história. Alguns brasileiros saíram da terra então colônia para fazerem seus estudos na terra mãe. Fizeram literatura quando estavam além-mar, como, por exemplo, Basílio da Gama, nascido em Tiradentes, que escreveu “O Uraguai”, um poema épico que trata da expedição mista de portugueses e espanhóis contra as missões jesuíticas do Rio Grande, para executar as cláusulas do Tratado de Madri, em 1756. Depois, vieram outros: os poetas das primeiras academias literárias, conhecidas como arcádias, os poetas parnasianos da época da Inconfidência Mineira. No entanto, conforme opinião de nosso palestrante Murilo Badaró formada de muitas e ricas leituras, a literatura genuinamente brasileira começou no período conhecido como romantismo com José de Alencar, Gonçalves Dias e Machado de Assis, que surgiu na transição para o realismo. A sugestão do palestrante a respeito da leitura dos textos de Machado de Assis vale para todos que apreciam uma boa leitura e mais ainda para os que querem praticar a arte do bem escrever: “leiam Machado de Assis, releiam, tresleiam, leiam mais outras vezes. Os escritos dele são como fontes de tesouro.” E, acho eu, ninguém vai perder o juízo com tanta leitura de Machado.
     Quem se lembra de Fagundes Varela, Castro Alves, Cruz e Sousa, Gregório de Matos? Quem esteve presente no salão da Câmara Municipal pôde ouvir a leitura de magníficos versos de poetas importantes do século XIX........ Então, chegou o século XX e na década de 20, surgiu o modernismo de Mário de Andrade e outros. Alguns anos depois, nascido nessas Minas Gerais, surgiu Guimarães Rosa, que é tido como o maior autor brasileiro de ficção. Seu romance “Grande Sertão – Veredas” narra fatos da vida do homem do sertão do norte de Minas com palavras, com as quais “reinventa” a língua portuguesa.
     Creio que não me lembro de tudo que Murilo Badaró falou como estudioso de literatura e sabedor da importância de uma Academia de Letras para continuidade e preservação da cultura de uma cidade, de uma nação. Porém, lembro-me bem da importância de suas palavras para o conhecimento de como se formou a literatura no nosso país. O leitor que não esteve lá, pode conversar com outras pessoas que o ouviram e saber de mais um pouco.
     Pessoas importantes de nossa cidade estiveram presentes, como o prefeito Zezé Porfírio, Cristina Gabriela (secretária de educação), Célio Duarte (secretário de cultura), Edna Morato (diretora de cultura), Francisco Júnior (presidente da câmara municipal), Nanci Teixeira, Cristina Teodoro, Marco Aurélio (vereadores), Dr. Carlos Donizetti (diretor do Fórum juiz da 2a. vara cível da comarca), acadêmicos da Academia de Letras de Pará de Minas, diretores e professores de escolas, escritores, representantes de toda a imprensa da cidade e os amigos das letras que atenderam ao convite da nossa academia. Foi realmente uma noite de gala da literatura de Pará de Minas. Pena que o tempo previsto para a duração da fala do nobre acadêmico foi curto para as tantas coisas que ainda podem ser ditas a respeito da importância das academias e da literatura e também do que vem acontecendo no país, a partir de Guimarães Rosa. Fica para uma outra vez.

*****
* “Academia é cultura” _ programação que a Academia de Letras de Pará de Minas promoveu no ano de 2007, em comemoração aos seus 10 anos de existência.

24.02.08

Terezinha Pereira/ SOPROS DE VIDA

      Consta em seu registro de nascimento, que foi no dia 15 de dezembro de 1907, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, que o grande homem recebeu o primeiro sopro da vida. Como toda criança ao nascer, logo deu seu primeiro choro. Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares precisava do ar para ter a vida.
      Hoje, não se importa com o inevitável momento em que dará o último sopro _ e nessa hora, outros serão os que se abrirão em choros. Entende que é vida é um minuto. Deve ser por isso que fugiu de arestas. Nada de quinas, de esquinas, de pontiagudos, nem mesmo de gente de temperamento complicado.
       De menino, com o dedo, desenhava formas de nuvens no ar. Percebeu logo a liberdade que lhe dava os espaços da linha curva. Daí, tirou simplicidade, beleza, arte e idéias. Riscou curvas cilíndricas, de cone, entradas, saídas, coberturas e contornos sinuosos e até mesmo, espaços ondulantes, extensos.
      No entanto, diante dos risos e choros da vida, preferiu não se curvar. Frente à imprevisibilidade da vida, chora e ri, que a vida é rir e chorar. Faz caso de estar dentro da realidade. Cuida-se de ser um ser de utilidade, solidário. Questiona que, diante da vida, todos estão num mesmo barco e que o espaço entre o primeiro e o último sopro é muito curto. Deve ser por isso que diz “estar livre para construir hoje o passado de amanhã”.
      É conhecido no mundo inteiro, pela ousadia que teve de se aproveitar da novidade do concreto armado para fazer executar grandiosidades; monumentos arquitetados com seus riscos singelos, que mudam de direção com suavidade, porém com audácia, como o curso dos rios, as nuvens do céu, as ondas do mar, a silhueta das montanhas de sua terra e até mesmo como o contorno do corpo da mulher preferida. Riscos que fazem brotar do chão verdadeiras esculturas, as quais despertam nas pessoas, quer sejam poderosas ou não, entendedoras de arte ou não, momentos de prazer, de espanto, de surpresa.
      Diz que a natureza lhe foi generosa, permitindo-lhe saúde.
       Ou teria sido ele mesmo, que teria se aproveitado da genialidade que lhe foi dada pela generosa natureza para, até hoje, fazer de seu trabalho, de suas idéias de igualdade social, do seu jeito de aceitar as pessoas do jeito que elas são, com seus defeitos e qualidades, como o sopro da própria vida?

(Para Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro e um dos nomes mais importantes da moderna arquitetura mundial, que ficou em nono lugar num resultado de uma pesquisa computada por uma empresa de consultoria global , “Synectics”, que apontou os “100 maiores gênios vivos do mundo atual”. Gênio que, aos 100 anos de vida, ainda trabalha todos os dias no seu escritório de arquitetura em Copacabana, no Rio de Janeiro e recebe as pessoas com a simplicidade de um homem comum, como se essas pessoas fossem as mais importantes.)


Terezinha Pereira, Oscar Niemeyer, Sílvia Capanema P. Almeida

Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2008