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10:59:57Márcio Simeone
Está escrito: ele vem. Promessa de redenção. Não se sabe hora e lugar e pode não ser reconhecido. O verdadeiro não vem de berço glorioso, vestido de rei. Nasce do improvável. Tão esperado, surge do inesperado. Seu reino nasce no inabitável. Pequeno, mas com força imensa. É filho silencioso que faz soar os sinos e cantar os anjos.
É certo que o céu dá sinais a quem se volta ao oriente. É preciso crer, para ver. Opera milagres. Vem, dá força, consola e anuncia bem-aventuranças. Mesmo incompreendido, deixa marcas. Expõe-se ao risco do julgamento dos homens. E mesmo que o matem, renasce. Assim é o AMOR e está escrito: ele sempre vem.

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21:19:37De todas as músicas cantadas em nosso idioma, estive pensando qual seria a mais popular de todos os tempos. Acabei chegando em duas música que, inevitavelmente, qualquer cidadão brasileiro sabe cantar, ao menos a primeira estrofe. Uma delas é “Parabéns pra você” e a outra é uma canção natalina: “Noite feliz”:
“Noite feliz, noite feliz
oh, Senhor, Deus de amor
Pobrezinho nasceu em Belém...”
Embora produzidas em pequena quantidade, as canções natalinas têm grade popularidade. Algumas atravessam gerações e mesmo com todo o massacre à cultura popular que vivenciamos em nossos dias, é possível ouvir as crianças cantando:
“Bate o sino pequenino, sino de Belém
já nasceu Deus menino para o nosso bem...”
Dois temas básicos inspiram todas as canções natalinas. O primeiro deles é o nascimento de Cristo, amplamente divulgadas nos concertos natalinos e nas celebrações religiosas de fim de ano. A grande maioria das melodias natalinas são estrangeiras com versões em português feitas por diversos compositores. Dentre as mais conhecidas estão “Vinde fiéis”, “Glória”, “ó arvore”, “Pequena vila de Belém”, “Meia noite, cristãos”:
“É meia-noite, instante augusto é este
em que baixou junto a nós o homem Deus...”
O segundo tema é o nosso bom velhinho, Papai Noel:
“Como é que papai Noel não esquece de ninguém
seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem...”
Das músicas natalinas genuinamente brasileiras, letra e melodia, a mais conhecida, sem dúvida é “Boas festas” do sambista Assis Valente:
“Eu pensei que todo mundo fosse filho de Papai Noel
vem assim felicidade, eu pensei que fosse uma
brincadeira de papel...”
Em “Feliz Natal” um belo encontro de dois grandes nomes, o poeta Manuel Bandeira em parceria com o maestro Villa-Lobos:
“Feliz natal é o que nós desejamos
a toda gente de boa vontade
feliz natal para o rico e para o pobre
natal de fé, natal de paz e de bondade...”
Blecaute, em sua composição, “Natal das crianças” fala de presentes, Papai Noel, sem esquecer dos principais valores da festa natalina:
“Natal, natal das crianças, natal da noite de luz,
natal da estrela-guia, natal do menino Jesus...”
Esporadicamente, surgem novas canções natalinas e algumas delas chegam pra ficar. É o caso de “Então é natal”, uma versão de Cláudio Rabello para “Happy Chrismas” de John Lennon e Yoko Onno:
“Então bom natal e um ano novo também
que seja feliz quem souber o que é o bem...”
Happy Chrismas - Versão original
Uma produção recente foi a canção “Mary Cristo” do grupo “Tribalistas”. Nela, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes e Marisa Monte misturam os temas, símbolos e os sons do natal:
“Já nasceu o Deus menino e as vaquinhas vão mugindo
blim blom, blim blom, blim blom, nylon...
Cantam, tudo tão bom
Papai Noel, momo do céu...”
Um feliz natal a todos, repleto de canções natalinas!
Obs.: para ver e ouvir as músicas citadas, acesse www.cursodeviolao.net em artigos de Júlio Saldanha. 

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13:46:18
Fonte Boa
Hoje armei o presépio de minha casa. Já meio tarde, mas ainda em tempo... até o dia 06 de janeiro ficará armado e receberá visitas individuais e coletivas. Não virão as pastorinhas, mas a folia de reis virá e cantará, e rezará... tradição, embora cada vez mais rara.
Em meu tempo de menino, lá na roça, o presépio era sinal de mudança... Vovó tirava da caixa as imagens do presépio. Imagens simples, feita de cerâmica vermelha e rusticamente encarnadas... Duas mesas eram o sustentáculo do presépio; sobre elas repousavam folhagens, pedras, galhos secos e armava-se uma cabana de palha. No entorno da cabana cercava-se uma área onde, estrategicamente, dispunham as imagens dos pastores e as ovelhas, as vacas, os burrinhos, camelos e outros animais... eu e meus primos eram os responsáveis para buscar, na beira do córrego, areia branca para se fazer o caminho, onde os reis magos seriam dispostos, barba de bode e outros cipós para enfeitar o presépio.
Era um dia inteiro de trabalho... e assim iniciava um tempo diferente... o tempo do natal! Quase todos os dias a casa de meus avós recebia visitas. De longe vinham as pastorinhas que faziam versos, cantavam diante da cena do nascimento de Cristo. Nos fins de semana chegavam as folias, uma após outra e cantavam, dançavam, “batiam varas” e rezavam. Cada uma que chegava para visitar trazia um presente e depositava aos pés do presépio. Estes presentes eram depois entregues para as crianças mais pobres do lugar. Minha avó dizia que as crianças pobres eram os “irmãozinhos de Jesus”, e por isso o menino Jesus do presépio não se importava em doar os presentes para as crianças pobres.
Assim, o tempo do natal ganhavam novas cores, sabores e encontros. A vida era movimentada, ouviam-se histórias, cantigas, conversas e o tempo ficava mais... bonito.
No dia 06 de janeiro a folia de reis chegava por volta das quatro horas da tarde; começava suas cantorias; tiravam seus versos e ao fim de cada estrofe, seguido de um refrão, minha avó retirava uma imagem do presépio e colocava na caixa de madeira. Assim, imagem por imagem, era retirada do presépio. E cada uma das imagens era guardada com todo cuidado e devoção... Ao final, depois de todas as imagens guardadas, a folia fazia o canto de despedida: agradecia aos donos da casa, a todos os presentes e a bondade do menino Jesus.
Não ganhávamos presentes... mas ganhávamos encontros, abraços, orações, tomávamos café com cada visitante, brincávamos, era uma festa que durava mais de um mês... e tínhamos família...
Vida em família...
Oração em família...
E hoje armei meu presépio em família...
Venha visitá-lo você também! E se puder traga um presente para os “irmãozinhos de Jesus”.
É a tradição que quer continuar... pena que as pastorinhas não virão mais...

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15:12:31NATALÍCIO
Hila Flávia 
Brilhou na árvore um vagalume. Não estava preso nos galhos. Apenasmente se encostou um pouco para iluminar. Então veio outro; e depois mais outro; e mais um. Num instante mágico pequeninas luzes piscavam, de alto a baixo.
E o menino sorriu.
Um sorriso de puro encantamento.
Afinal, era seu aniversário. Não sabia bem porque era ainda um menino, já que, para usar de franqueza, ele fazia mais de dois milênios. A única diferença que tinha dos pequenos bebês era que sabia sorrir. Um sorriso consciente, por algo. Os pequeninos até sorriem, mas o motivo é uma barriguinha cheia ou um ataque de extremo bem-estar.
O menino, não. Sorria e sabia porque sorria. Sabia sorrir.
E eu vi aquele menino sorrindo. Não queria ter a presunção tamanha de dizer que ele sorriu para mim. Poderia ter sorrido de mim. Os meninos sempre riem de mim. Ou para mim, sei lá.
Mas, pensando bem, vou ser presunçosa e afirmar que o menino sorriu para mim.
Então fiquei pensando: como é difícil viver um dia de aniversário em que o aniversariante adota como tema a singeleza. É a mesma coisa de um adulto que tem loucura por um dia de sol e detesta se deitar tarde, e os amigos lhe oferecem uma noite inteira da maior barulheira.
Dá vontade de gritar!
E esse menino, o que ele quer de aniversário?
Só quem não quer ver e não quer ouvir e não quer perceber é que não vê, não ouve e não percebe que ele quer paz.
E o que lhe dão?
Algazarra, bebedeira, comilança, desvarios, loucuras, obrigações cumpridas de procurar parente que não se procura o ano inteiro, votos formais, presentes acima das posses e abaixo das expectativas, confusão, correria, mau-humor, brigas, descontentamentos, desilusões, enfim, uma festa de aniversário tendo por base um enorme fingimento, uma incomensurável hipocrisia.
Menino, perdão!
A experiência de vida vai dando à gente noção exata das coisas e medida certa das ações. E sabemos, com o tempo, que o vazio que sente o ser humano, após uma busca frenética, vem do simples fato de que não foi preenchido o que ele tem de mais sublime, de mais doce, de mais delicado: O AFETO.
Percebemos que cada pessoa do mundo é um mundo inteiro. Em cada coração cabe todo o universo e toda a solidão. E também todo o amor. E toda a esperança. É sozinho que o ser humano resolve ser ou não feliz. É decisão dele, pessoal, intransferível. Ninguém pode decidir por outro a felicidade e ninguém tem, realmente, o poder de tirá-la de ninguém, se a pessoa não quer perdê-la.
No seu aniversário, menino, compreendo, todo ano, porque você não fica velho: porque a esperança é eterna. É tão nova que renasce a cada dia, não a cada ano. Esse simbolismo de ano novo é só uma lembrança. Um lembrete. É só uma comemoração. O que realmente se comemora é um vagalume que brilha na árvore plantada nem sei por quem. O que realmente se comemora é o nascer de cada dia, é a estrela luminosa, é a lua, é o sol, são as águas, os pássaros, as cores e os sons. O que realmente se comemora é o AMOR, é a VIDA.
Quer presente melhor?
Ofereço-lhe, menino, de presente, a minha vida, a minha alegria, meu trabalho, minha lida. Meu imenso afeto por você.
E não faço isso por bondade não. Ofereço-lhe o que recebi de graça.
E foi me sentindo assim, tão pequena e tão grande, tão cheia de ternura no coração, que me tornei um vagalume e me encostei também na árvore que sombreava o lugar do menino. Brilhei, pisquei, voei, dei cambalhotas, fui para lá e para cá, fiz estripulias.
E ele sorriu para mim.
Desta vez, eu vi mesmo.
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Neste Natal,
que o Menino-Jesus sorria para você também.
E encha seu coração de PAZ.
Um afetuoso abraço.
Hila Flávia

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22:56:24